A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver promove, no dia 4 de setembro, às 18h, o lançamento oficial do Comitê de Tecnologia da Marcha 2025. A atividade é aberta ao público, mediante inscrição prévia, e acontece de maneira híbrida: presencialmente na sede da Ação Educativa, em São Paulo (SP); e online – através de participação virtual para pessoas de todo o mundo.
O evento marca mais um passo na construção do projeto político que reposiciona as mulheres negras como protagonistas no combate ao racismo também no ambiente digital, e por sociedades mais justas para as mulheres nas diversas partes do mundo.
Segundo levantamento do Observatório da PretaLab, apenas 2% das pessoas que atuam em tecnologia no Brasil são mulheres negras. Essa sub-representação reforça desigualdades históricas e mantém essas mulheres afastadas de espaços decisórios estratégicos. Para Silvana Bahia, co-diretora executiva da Olabi, organização criadora da PretaLab, o lançamento é um chamado para reimaginar o futuro digital a partir da experiência e do protagonismo das mulheres negras.
“A gente quer participar da construção desse futuro, não como pessoas impactadas só por isso, a gente quer construir o futuro como pessoas que tomam decisões. No contexto da Marcha, a expectativa desse lançamento está muito alinhada com essa visão que a gente está construindo sobre o que pode ser tecnologia na perspectiva das mulheres negras, relacionada ao Bem Viver e à Reparação”, afirma Bahia.
Também nesse sentido, de acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e Tecnologias Digitais (Brasscom), o Brasil demanda 665 mil profissionais de tecnologia, mas forma apenas 465 mil, gerando uma lacuna de 30,2%. Em paralelo a isso, a juventude negra, em especial as mulheres, enfrenta barreiras concretas de acesso ao trabalho formal: o desemprego entre jovens negras chega a ser três vezes maior que o dos homens brancos, segundo a pesquisa Mude com Elas (2024), organizada pela Ação Educativa.
“Se queremos construir um novo mundo que acolha a diversidade do que é ser mulher negra, precisamos disputar não só as narrativas, mas também os acúmulos técnico-científicos relacionados à tecnologia”, pontua Juliane Cintra, coordenadora da Unidade de Projetos Especiais da Ação Educativa e diretora executiva da Abong (Associação Brasileira de ONGs), sinalizando que essa será uma das discussões norteadoras não só no lançamento do Comitê, mas durante toda a agenda que antecede a Marcha.
O Comitê de Tecnologia é fruto de uma articulação iniciada em maio, como explica Larissa Santiago, fundadora do Blogueiras Negras e atual secretária-executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (MIR/PR): “A ideia deixou de ser apenas um sonho e se materializou pela força da coletividade. Mulheres negras e organizações dedicadas à tecnologia da informação se reuniram em um evento paralelo ao Fórum de Internet do Brasil, em Salvador (BA), e ali foi plantada a semente da criação desse comitê.”
A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontece em novembro de 2025 em Brasília (DF), tem se estruturado em comitês temáticos que aprofundam debates estratégicos para a transformação social. O Comitê de Tecnologia surge como um espaço fundamental para garantir que o avanço digital no país considere a experiência histórica e as propostas das mulheres negras.
Programação:
18h30 Leitura do Manifesto “Declaração do Comitê de Tecnologia”
19h Mesa “Bem Viver e Tecnologia: a contribuição das Mulheres Negras”
19h40 Mesa “Narrativas em Disputa: Desinformação, Epistemicídio e a Luta das Mulheres Negras pelo Bem Viver”
21h Finalização cultural
Serviço:
O quê? Lançamento do Comitê de Tecnologia da Marcha de Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver;
Quando? Dia 4 de setembro, a partir das 18h;
Onde? Ação Educativa (Rua Gen. Jardim, 660 – Vila Buarque, São Paulo/SP) + transmissão online.
Inscrições limitadas: https://bit.ly/47cRqaw.