Por Matheus Souza
No mês em que é comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra, mais um infeliz caso de racismo toma conta do noticiário. O Colégio Adventista de Alagoinhas, cidade a cerca de 120 km de Salvador (BA), divulgou em suas redes sociais imagens de uma encenação realizada pelos alunos da escola em referência à data que celebra a contribuição, cultura e história do povo negro no país, onde um aluno negro aparece amarrado a um tronco cenográfico.
No vídeo, o aluno está vestido com roupas rasgadas, de frente para o tronco, no que seria a representação de uma pessoa escravizada sendo violentada. Atrás dele, é possível ver um aluno branco caracterizado como fazendeiro enquanto segura um chicote. Em uma outra imagem divulgada pela escola, uma aluna branca interpreta a princesa Isabel assinando a Lei Áurea. As imagens rodaram a internet e se tornaram alvo de críticas.
Após a repercussão do caso, o colégio afirmou em nota que repudia qualquer forma de racismo e que a apresentação fazia parte de uma proposta pedagógica voltada a promover o fortalecimento da consciência histórica e a valorização do povo negro. A instituição de ensino ainda afirma que as imagens foram tiradas de contexto e interpretadas de maneira equivocada.
A escritora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Bárbara Carine publicou um vídeo em suas redes sociais comentando sobre o ocorrido. Nele, a professora questiona o fato da escola ter escolhido dar protagonismo aos algozes brancos do período escravocrata e reforçar a imagem da população preta como vítima.
Bárbara, que venceu o Pêmio Jabuti em 2024 com o livro “Como ser um educador antirracista”, afirmou que os educadores da escola em questão decidiram reproduzir a violência sofrida pelo povo negro. “O pessoal decidiu reproduzir dor, violência, protagonismo branco na escola. Não faz sentido. É falta de informação? Porquê de literatura não é, temos muita gente boa”, disse no vídeo.
O dia 20 de novembro foi escolhido como marco para a população negra brasileira por ter sido a data dae morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, assassinado em 1695 por sua luta contra a escravidão.


