Por Patrícia Rosa
O Brasil registrou 4.515 denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão em 2025, o maior número da história. Trata-se de um índice triste e persistente, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
As informações foram divulgadas ao Portal G1. Em 2024, foram 3.959 denúncias registradas no Disque 100, o que representou um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Naquele período, a manchete que ecoava pelo país era a mesma: o Brasil havia batido recorde no número de denúncias de exploração e de trabalho análogo à escravidão.
De acordo com os dados, janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de registros, totalizando 477 denúncias. Os dados também apontam uma tendência de crescimento das denúncias nos últimos anos. Em 2020, foram registradas 915 ocorrências; já em 2025, o total é cerca de 393% maior.
No Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), constam 4.345 registros de exploração do trabalho. A Bahia aparece como o quinto estado com maior número de registros, atrás de Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O único recorte de tipificação disponível é o de trabalho doméstico, que concentra 507 denúncias.
Considera-se trabalho análogo à escravidão quando o trabalhador é submetido a jornadas exaustivas, condições degradantes e insalubres, sem garantia de alimentação, descanso e higiene adequados, além da negação de direitos trabalhistas e do pagamento de salários.
As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma sigilosa por meio da plataforma do Sistema Ipê.


