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Participação policial na violência armada em Salvador (BA) e RMS bate recorde em 2025

Dados mostram alta letalidade, aumento de chacinas e impacto direto sobre bairros e escolas na periferia da capital baiana
Imagem: Ana Carolina Mata

Texto: Divulgação

Salvador (BA) e Região Metropolitana (RMS) registraram em 2025 um crescimento na proporção de registros de tiroteios durante ações e operações policiais, chegando a representar 44% dos casos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26), por meio do Relatório Anual do Instituto Fogo Cruzado, e destacam que mesmo após a redução do número total de ocorrências ainda há um protagonismo do Estado na dinâmica da violência armada na região.

Só em 2025, foram registrados 1.505 ocorrências de disparos de arma de fogo no território, o equivalente a uma média de quatro ocorrências por dia. O número representa uma queda de 16% em comparação com 2024, ainda assim, 662 (44%) dos casos registrados  ocorreram durante ações e operações policiais. No ano anterior, essa proporção foi de 38%.

No total, 1.525 pessoas foram baleadas: 1.212 morreram e 313 ficaram feridas. Entre os baleados, 605 foram atingidos durante ações e operações policiais, ou seja, 40% das vítimas estavam nesse contexto, um aumento de 4% em relação a 2024.

Os dados mostram que, ao longo dos anos, há uma queda na quantidade de tiroteios, mas um aumento progressivo da participação de policiais no episódios registrados:

AnoRegistros de Tiroteios Em ações/operações policiaisPorcentagem
20231.80465936,5%
20241.79568138%
20251.50566244%

A letalidade também se intensificou nas ações policiais classificadas como chacinas. O número de mortos nesse tipo de ocorrência em Salvador e RMS saltou de 55, em 2024, para 95, em 2025; um aumento de 82%. As Rondas Especiais (Rondesp) apareceram em 52% desses registros no período analisado.

Crianças e adolescentes voltaram a ser alvos da violência armada em 2025. Ao todo, 64 adolescentes e cinco crianças foram baleados na região, número 21% maior do que o registrado no ano anterior. Entre eles, 27% dos adolescentes foram atingidos durante ações e operações policiais.

O relatório apresentou que a violência armada também impactou o acesso à educação. Em 2025, 252 escolas de Salvador foram afetadas por tiroteios em seu entorno, sendo que 67% dos tiroteios foram identificados em um raio de até 300 metros de escolas, nos horários de 6h e 22h, durante operações policiais. A concentração geográfica desses episódios evidencia desigualdades econômicas e raciais. 

Bairros periféricos de Salvador com população majoritariamente negra, como Fazenda Coutos, Rio Sena, Moradas da Lagoa, Pero Vaz, Calabetão, Lobato e Chapada do Rio Vermelho, concentram 5% dos tiroteios próximos às escolas. Em contraste, bairros com população majoritariamente branca, como Itaigara, Graça, Caminho das Árvores, Canela, Pituba, Barra e Patamares, registram somente 0,3% dessas ocorrências.

Os casos de feminicídio e tentativa de feminicídio registrados em Salvador também apresentaram aumentos significativos. Em 2025, foram mapeados 10 episódios, representando um aumento de 61% em comparação com o ano anterior. Esses registros demonstram a persistência da violência de gênero, que frequentemente utiliza armas de fogo  como instrumento de letalidade. 

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