Por Matheus Souza
Estudantes do Colégio Damas, uma instituição de ensino privado tradicional de Recife (PE), organizaram uma festa com o tema “Deu a Louca no Morro”. Nas imagens que circulam pelas redes sociais, os adolescentes aparecem vestindo os figurinos sugeridos para a festa. São camisas de time, bermudas tactel, correntes e cordões dourados, óculos de sol do tipo “juliet”, bonés, mini shorts, entre outros itens.
Como fica subentendido pelo nome da festa, e o figurino escolhido, o intuito do evento é utilizar o vestuário e estilo das pessoas que moram em zonas periféricas como fantasia. Nos vídeos, os estudantes também dançam, fazem gestos e tentam reproduzir o que seria o jeito que as pessoas oriundas desses lugares se comportam.
O caso ganhou repercussão após uma publicação da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fabiana Moraes, em seu perfil do Instagram. O caso gerou polêmica por reproduzir comportamentos que estimulam o racismo recreativo, ou seja, o uso de humor, sátira e zombaria para reforçar estereótipos e desumanizar grupos étnicos e minorias.
“O que pensar quando um grupo de educadores/as não vê problema no racismo recreativo? A escola não tinha nenhum conhecimento? Em um local de vasta maioria branca perfomar o que seria o cotidiano de locais de uma vasta maioria preta?”, questiona a jornalista em sua publicação.
Em nota, o Colégio Damas declarou que não tinha conhecimento da festa e que não se tratava de um evento promovido pela instituição. Afirmou ainda que a escola é uma instituição confessional católica que orienta suas atividades pelos valores do respeito, da dignidade humana, repudiando qualquer forma de discriminação, preconceito ou discurso de ódio,
O colégio disse reconhecer a importância e a sensibilidade do debate público sobre temas relacionados ao preconceito e ao racismo e afirmou que possui um compromisso permanente com a formação ética, humana e cidadã dos seus alunos.


