Por Catiane Pereira*
Uma mulher de 38 anos, identificada como Maria da Penha da Silva, morreu na tarde de quinta-feira (5) após ser encontrada inconsciente dentro de uma residência no bairro Açude Tapera, em Santaluz, município localizado na região sisaleira da Bahia. A vítima apresentava sinais de agressão física, e a polícia aponta o companheiro como principal suspeito do crime.
Segundo informações da Polícia Militar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para prestar socorro à vítima. Maria da Penha foi levada a uma unidade hospitalar da cidade, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com o registro policial, ela apresentava hematomas no tórax e na cabeça, além de sangramento nasal.
O Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a perícia na residência onde a mulher foi encontrada e encaminhou o corpo para necropsia. Até o momento, o companheiro da vítima não foi localizado.
A Polícia Civil da Bahia investiga as circunstâncias da morte e trabalha para confirmar se o caso será enquadrado como feminicídio.
O episódio ocorre na semana do Dia Internacional da Mulher e chama atenção pela coincidência do nome da vítima com o da farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, cuja história de violência doméstica inspirou a criação da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), marco legal no combate à violência contra a mulher no Brasil.
A lei leva o nome da ativista após duas tentativas de homicídio cometidas por seu então marido, em 1983, em Fortaleza (CE). Na primeira, ela foi baleada enquanto dormia e ficou paraplégica. Meses depois, já em recuperação, sofreu uma nova tentativa de assassinato, quando o agressor tentou eletrocutá-la durante o banho. A busca por justiça levou quase duas décadas e resultou na criação da legislação que ampliou mecanismos de proteção às mulheres.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil registrou mais de 1.500 casos de feminicídio em 2025. Somente até janeiro de 2026, mais de 130 mulheres já haviam sido mortas no país em ocorrências classificadas ou investigadas como feminicídio, muitas delas tendo parceiros ou ex-parceiros como principais suspeitos.
Casos de violência doméstica podem ser denunciados por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia e de forma gratuita
*Com informações de BN Municípios


