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ONU reconhece tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade

Documento aprovado pela Assembleia Geral propõe reparação histórica e restituição de bens culturais
ONU reconhece tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade
Imagem: ONU News / Manuel Elias

Por Luana Miranda*

Na última quarta-feira (25), a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como “o crime mais grave contra a humanidade”.  Dos Estados-membros participantes, 123 foram a favor, três contra e 52 se abstiveram, entre eles Portugal, sendo o único país lusófono nessa posição. 

O texto estabelece que os Estados-membros devem considerar apresentar desculpas pelo tráfico de escravizados e contribuir para um fundo de reparação – seis séculos depois do início do tráfico de africanos escravizados. O documento enfatiza que esse período da história da humanidade provocou consequências sentidas até hoje em diversos continentes e, por isso, a declaração destaca as reivindicações por reparação das “injustiças históricas contra os africanos e as pessoas de ascendência africana”.

Painel mostra como cada Estado-membro votou | Imagem: Reprodução / Redes Sociais da ONU

A resolução ainda solicita que seja realizada a restituição de bens culturais sequestrados de seus países de origem, garantindo toda a assistência necessária em relação a possíveis danos causados. Com essa medida, o texto tem o objetivo de estimular o pleno exercício dos direitos culturais para as gerações no presente e futuro dos países afetados. 

A declaração foi proposta por John Mahama, presidente de Gana, um dos países mais impactados pelo comércio de escravizados do continente africano. Além dele, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbook, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursaram durante a reunião. Ambos rememoram o trabalho escravo infligido a milhares de pessoas e frisaram a importância da responsabilização e do enfrentamento às injustiças.

* Texto construído com informações do ONU News 

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