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Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas celebra uma década de articulação política em evento sediado em Salvador (BA) 

O encontro visa fortalecer redes de solidariedade, formação política e luta coletiva
Imagem: Reprodução Redes Sociais

Por Luana Miranda

Há mulheres negras articuladas e organizadas em diversos contextos, dentro e fora das fronteiras do Brasil, e o Encontro Internacional de Mulheres Negras Urbanas e Quilombolas (EIMNUQ) é um exemplo palpável dessa afirmativa. Em 2026, o evento realiza a sua 10ª edição, em Salvador (BA), nos dias 24, 25 e 26 de julho. Consolidado como um espaço de formação política e fortalecimento da luta de mulheres negras na diáspora africana, o Encontro reúne lideranças, ativistas e pesquisadoras de territórios diversos. 

Neste ano, com o tema “Refletindo Lutas e Conquistas de uma Década”, o evento celebra  a memória e os resultados da incidência política de mulheres que resistem cotidianamente às desigualdades de raça e gênero em seus territórios.  A programação do EIMNUQ conta com rodas de conversas, oficinas, palestras, atividades culturais, momentos de partilha e espiritualidade. Essas atividades serão organizadas em eixos que abordam memória, território, resistência e futuro.

Criado em 2017, o EIMNUQ é um espaço de luta, mas também de acolhimento, que ano após ano preserva as suas integrantes ao passo que agrega novas participações. Para Cleusa Maria de Jesus Santos, de 59 anos, integrante da Associação Protetora dos Desvalidos, o encontro com grupos de diferentes organizações e faixas etárias possibilita a partilha de uma diversidade de vivências e garante a continuidade de uma luta política que é cara às mulheres negras. 

Moradora de Salvador (BA), Cleusa participa do evento desde a sua primeira edição,que aconteceu na capital baiana e reuniu dezenas de mulheres quilombolas de todo o país. “Realizamos um tour para levá-las à praia, para conhecer os pontos turísticos da cidade. Na época, muitas delas nunca tinham visto o mar. Pisar na areia e na água salgada  foi uma emoção muito grande. Foi importante conhecer esse lado das mulheres que estavam ali.” 

De acordo com Maria Benedita dos Santos Pereira, de 62 anos, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo Flores, o evento é uma maneira de promover redes de apoio e resistência. Moradora de Ruy Barbosa (BA), a ativista chama atenção para a importância das trocas de saberes promovidos durante os últimos 10 anos e as expectativas para esta edição. “Fazemos debates sobre direitos, protagonismo feminino, ancestralidade, empreendedorismo, educação e saúde. Essa edição será um marco da união entre as mulheres negras. Espero que possamos celebrar as conquistas alcançadas, renovar as forças para enfrentar os desafios e inspirar as novas gerações.”

A ideia de que o EIMNUQ é um espaço de coletividade e fortalecimento perpassa as novas gerações que integram o evento, como salienta Aminata Djakite, de 29 anos. Natural de Guiné-Bissau, a estudante é participante de um coletivo de mulheres africanas da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e do Grupo de Mulheres Imigrantes Negras em Diáspora, em Porto Alegre (RS). 

Aminata frequenta o EIMNUQ há dois anos, e explica que, para além da Guiné-Bissau, na última edição o evento contou com a participação de outros três países do continente africano: Angola, Moçambique e Cabo Verde. A jovem espera um encontro inspirador e em clima de celebração por toda a construção que as mulheres negras desenvolveram nessa década. “É um encontro para que possamos renovar os nossos compromissos com a luta, a resistência e a emancipação. Em função de um futuro mais justo e igualitário, onde nós mulheres negras, africanas, afro-diaspóricas possamos ser respeitadas e ocupar lugares de vida que merecemos”, conclui.

O aniversário do Encontro também sinaliza um momento de reorganização: em 2027, o EIMNUQ fará uma pausa estratégica, voltada ao fortalecimento interno e à construção de novos formatos de continuidade. 

O evento é realizado pelas organizações Associação Protetora dos Desvalidos – SPD, Instituto Renascer Mulher e Rota dos Quilombos, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e Instituto Ibirapitanga. 

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