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Chacina da Gamboa: Três PMs vão responder em júri popular por triplo homicídio qualificado

Eles serão julgados pelos homicídios dos jovens Alexandre Santos, Cléverson Guimarães e Patrick Sapucaia, cometidos durante operação policial realizada em 1º de março de 2022
Imagem: Felipe Iruatã

Por Jamile Novaes

A Justiça da Bahia determinou que os policiais militares Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias serão julgados em júri popular por envolvimento nas mortes de Alexandre Santos dos Reis, de 20 anos, Cléverson Guimarães Cruz, de 22 anos, e Patrick Sousa Sapucaia, de 16 anos.

Os agentes vão responder por triplo homicídio cometido por motivo torpe, perigo comum e sem possibilitar defesa das vítimas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), em atuação conjunta do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) e da 2ª Promotoria de Justiça do Júri da Capital, os três jovens participavam de uma festa quando foram mortos por disparos de arma de fogo durante operação policial realizada na comunidade da Gamboa de Baixo, em Salvador (BA), na madrugada de 1º de março de 2022.

A decisão de levar os acusados a julgamento popular partiu do juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, na última quarta-feira (15), por entendimento de que há indícios suficientes de autoria e prova da materialidade dos crimes.

O magistrado destacou que as provas produzidas ao longo da etapa de instrução processual trazem versões divergentes sobre os fatos. Embora os policiais aleguem ter agido em legítima defesa, testemunhas apontam que não houve confronto e que as vítimas estavam desarmadas. A apreciação das provas e a decisão sobre a responsabilidade criminal dos denunciados caberão ao Conselho de Sentença do Tribunal do Júri.

A sentença de pronúncia também ressalta que as mortes aconteceram em área residencial movimentada, durante um momento festivo – o que poderia ter colocado outras pessoas em situação de risco – e menciona que elementos periciais e testemunhas serão submetidos à análise dos jurados. A data do julgamento ainda não foi divulgada. Os acusados permanecerão respondendo ao processo em liberdade.

Em 2023, um ano após o caso, que ficou conhecido como Chacina da Gamboa, a Revista Afirmativa, junto ao Odara – Instituto da Mulher Negra e à Odé Produções, produziu uma videorreportagem especial sobre os desdobramentos das mortes dos jovens. Naquele momento, o caso tramitava apenas na esfera administrativa, sem judicialização. 

Nas entrevistas concedidas, ativistas, mães e familiares das vítimas denunciam os abusos de poder e ameaças feitas pelos policiais envolvidos na operação, e relacionam a violência policial sofrida pela comunidade ao processo de especulação imobiliária que o território vive. Confira: https://youtu.be/B7nOuFV31J8

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