Texto: Divulgação
No próximo sábado, 25 de julho, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, o Movimento de Mulheres Negras da Bahia volta a ocupar as ruas do centro de Salvador com a Marcha das Mulheres Negras da Bahia por Reparação e Bem Viver. A concentração acontece a partir das 8h, na Praça da Piedade, com caminhada em direção ao Terreiro de Jesus, no Centro Histórico da capital baiana.
A marcha integra a agenda coletiva da 14ª edição do Julho das Pretas – Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver, e reunirá lideranças comunitárias, meninas e adolescentes, estudantes, professoras, mulheres quilombolas, mulheres de terreiro, juventudes, ativistas e movimentos sociais de Salvador e de diferentes territórios da Bahia.
Esta será a primeira marcha realizada após a histórica Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que reuniu em novembro de 2025, em Brasília, cerca de 300 mil mulheres negras de todos os estados brasileiros e de mais de 40 países, consolidando uma das maiores mobilizações internacionais de mulheres negras já realizadas e reafirmando a centralidade da agenda da reparação, da justiça racial e do Bem Viver.
Agora, o chamado é para fortalecer o pós-marcha, compreendendo que a mobilização não se encerra no ato realizado em Brasília, mas segue viva nos territórios, nas comunidades e nas ruas.

Para Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, a Marcha segue como um chamado permanente à mobilização das mulheres negras em defesa da reparação e do Bem Viver.
“O chamado das mulheres negras para a Marcha segue ecoando em todo o país. Compreendemos que o pós-marcha é tão importante e necessário quanto o processo de mobilização da marcha para que possamos avançar e fortalecer o Pacto do Bem Viver. É essa mobilização que vai manter viva e em construção nossa imaginação e criação em torno do Bem Viver. Ocupar as ruas é manter viva a voz das meninas e mulheres negras ecoando em cada canto e espaço, para que nunca esqueçam o que esta nação nos deve.”
Para Rita Santa Rita, ativista do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas (GRUMAP), organização que completa 45 anos em 2027 e é uma das mais antigas do movimento de mulheres negras no Brasil, seguir em marcha é reafirmar a construção coletiva de um novo projeto de sociedade.
“A gente continua marchando porque Salvador é luta permanente pela terra, pelo enfrentamento ao racismo, ao machismo, ao sexismo e à misoginia. É uma cidade negra e das mulheres negras. Marchamos pela reparação, pelo Bem Viver, pela educação, pelo empoderamento econômico e pelo poder das mulheres negras na cidade, na Bahia, no Brasil e na América Latina. Seguimos construindo, com muita coerência e convicção, um novo pacto civilizatório, uma nova ordem social. É por isso que a gente continua em marcha.”
Criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, o Julho das Pretas consolidou-se como a maior agenda política construída por mulheres negras no Brasil e na América Latina. Em sua 14ª edição, a mobilização acontece sob o tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”, reafirmando que a luta por justiça racial, reparação histórica, democracia e garantia de direitos permanece como um compromisso coletivo das mulheres negras brasileiras.
Ao longo do mês de julho, a 14ª edição do Julho das Pretas reúne uma agenda coletiva com 675 atividades, organizadas por 292 organizações e coletivos, distribuídas por 23 estados brasileiros, o Distrito Federal e outros três países. A programação reafirma o caráter transnacional da mobilização, fortalecendo articulações entre mulheres negras do Brasil, da América Latina, do Caribe e da diáspora africana em torno da agenda de Reparação e Bem Viver.
Sobre o Julho das Pretas
O Julho das Pretas é uma ação de incidência política construída coletivamente por organizações e movimentos de mulheres negras de todo o Brasil, voltada ao fortalecimento da ação política autônoma das mulheres negras e à ampliação do debate público sobre raça, gênero, democracia, justiça e direitos humanos.
Idealizada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra em 2013, a iniciativa tornou-se uma mobilização nacional e internacional que, anualmente, reúne centenas de organizações em torno de uma agenda comum de luta pelo enfrentamento ao racismo patriarcal e pela construção de um projeto de sociedade baseado na Reparação e no Bem Viver.


