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Programa seleciona mulheres latinas para formação em segurança digital

Em sua segunda edição, o REPCONE contará com a Latinas IA, ferramenta voltada ao apoio e à proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade na América Latina
Imagem: Divulgação / REPCONE

Texto: Divulgação

A segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE) está com inscrições abertas até a próxima quarta-feira (5). Promovido pela Rede Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP), o programa vai selecionar 30 mulheres da América Latina entre jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias e pesquisadoras, de diferentes perfis, territórios, identidades e formas de atuação pública. 

A iniciativa tem por objetivo fortalecer a capacidade de proteção de mulheres em visibilidade pública diante de ameaças digitais, violência online e campanhas de desinformação. Serão priorizadas candidatas que atuam em contextos de maior risco e invisibilidade estrutural. O formulário de inscrição está disponível no link: https://ee.kobotoolbox.org/x/ypr1atRG.

Lançada em 2025, a REPCONE dá continuidade às suas atividades neste ano eleitoral em meio a um contexto de crescente polarização do país. Nesse cenário, o estudo “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital”, divulgado pelo Instituto Marielle Franco em 2025, mostra que os principais alvos da violência política online são as mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, populações periféricas, defensores de direitos humanos, além de pessoas que ocupam cargos políticos e ativistas.

“Nos últimos anos, percebemos que os ataques se tornaram mais coordenados e rápidos. Por isso, além da formação, buscamos criar uma estrutura permanente de apoio para que essas mulheres não enfrentem a violência digital sozinhas”, afirma  Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede JP e idealizadora da REPCONE.

O programa é estruturado em quatro frentes de atuação integradas: formação, com quatro aulas virtuais sobre segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e enfrentamento à desinformação; proteção e cuidado, com apoio psicossocial e orientação jurídica especializada; resposta rápida, com protocolos de atuação diante de ataques coordenados, assédio online e campanhas de desinformação; e infraestrutura tecnológica, com a implementação da Latinas IA, ferramenta de inteligência artificial voltada à proteção e ao fortalecimento de mulheres que atuam na defesa da democracia na América Latina.

Desenvolvido em parceria com o Meedan e operado pela Suwali, o Latinas, plataforma de inteligência artificial que será utilizada na segunda edição do REPCONE, integra tecnologias aplicadas à integridade da informação e à segurança digital, em um contexto de crescimento da desinformação e da violência online contra mulheres.

“A maioria das ferramentas de inteligência artificial disponíveis hoje foi desenvolvida com referências que nem sempre refletem a realidade das mulheres latino-americanas. O Latinas nasceu justamente para preencher essa lacuna, oferecendo um suporte construído a partir dos contextos culturais e linguísticos da nossa região. Isso torna as orientações mais precisas e permite responder com mais rapidez às situações de violência digital”, afirma Marcelle.

Além dos encontros virtuais, a formação vai oferecer duas oficinas presenciais, que serão realizadas junto a organizações parceiras no Rio de Janeiro e no Peru. As participantes também contarão com apoios financeiros para multiplicar os conhecimentos em seus territórios por meio de ações comunitárias, campanhas de conscientização e fortalecimento de redes locais.

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