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Caso Kathlen Romeu: júri popular de PMs acusados de morte é remarcado para novembro

Modelo de 24 anos, grávida de 13 semanas, foi morta por um tiro de fuzil durante uma operação policial no Complexo do Lins (RJ), em 2021. Para a mãe da jovem, julgamento representa o início da reparação pela morte da filha
Imagem: Reprodução Redes Sociais

Por: Catiane Pereira

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) marcou para 26 de novembro o júri popular dos policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, acusados de envolvimento na morte de Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos. A sessão está prevista para ocorrer no TJRJ, às 10h.

O julgamento havia sido inicialmente agendado para essa mesma data, mas foi remarcado para 1º de dezembro pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou a possibilidade de adiamentos durante novembro, Mês Nacional do Júri (movimento realizado anualmente em novembro pelo Poder Judiciário brasileiro para acelerar o julgamento de crimes dolosos contra a vida, como homicídios e tentativas de homicídio). Posteriormente, a sessão foi novamente remarcada e voltou para 26 de novembro.

Kathlen foi morta em 8 de junho de 2021, durante uma operação policial no Complexo do Lins, no Rio de Janeiro. Grávida de 13 semanas, a jovem foi atingida por um tiro de fuzil no tórax enquanto caminhava com a avó, nas proximidades do Beco da 14. Ela havia retornado à comunidade para visitar familiares, depois de se mudar da região por medo da violência. A jovem chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu aos ferimentos. 

Os dois policiais serão julgados sob a acusação de homicídio qualificado. Em setembro de 2025, a Sexta Câmara Criminal do TJRJ confirmou, por unanimidade, a decisão que encaminhou os agentes a júri popular. As defesas haviam solicitado a revisão da decisão, mas os desembargadores entenderam que os elementos apresentados deveriam ser analisados pelo Conselho de Sentença.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os policiais teriam disparado contra pessoas não identificadas durante patrulhamento na região. Os tiros não atingiram os supostos alvos, mas um dos disparos acertou Kathlen, que caminhava com a avó pela Rua Araújo Leitão.

Na ocasião, a Polícia Militar afirmou que os agentes haviam sido atacados por criminosos e reagido. A versão foi contestada por moradores e familiares da vítima, que relataram não ter presenciado troca de tiros no momento em que a jovem foi atingida.

As investigações também apontaram suspeitas de alteração da cena do crime. Segundo as apurações, policiais teriam recolhido cápsulas de munição e modificado elementos do local da ocorrência. Cinco agentes foram denunciados por fraude processual, enquanto dois também respondem pelo homicídio.

Família cobra justiça

Desde a morte de Kathlen, familiares e organizações de direitos humanos têm cobrado responsabilização dos agentes envolvidos e denunciado a violência policial contra a população negra.

Em mensagem enviada à Revista Afirmativa, Jacklline Lopes, mãe da jovem, afirmou que a chegada do julgamento representa o início de uma luta por reparação diante da morte da filha.

“Depois que o Estado violou o meu sagrado, lutamos arduamente para que chegasse o dia em que sentaríamos os assassinos no banco dos réus. Esse julgamento é o início de reparação de uma grande injustiça. Condená-los ao máximo rigor da lei é o que a família, os amigos, os defensores de direitos humanos e a sociedade civil que não compactua com essa barbárie está esperando”, declarou.

A mãe também ressaltou os impactos da violência sobre a família e criticou a impunidade em casos de mortes provocadas por agentes do Estado.

“Não dá pra normalizar que uma jovem mulher negra, grávida, seja assassinada por agentes do Estado e os mesmos saiam impunes, enquanto esse tiro de fuzil acertou diversas vidas para sempre!”, afirmou.

Ao falar sobre o luto, ela descreveu a dificuldade de conviver com a perda da filha e a decisão de continuar buscando justiça. “Sigo incrédula que estou vivendo esse filme de horror eterno, coração sangrando, saudade infinita, mas consciente de que meu maternar me move pra buscar memória, verdade, reparação e justiça. Para além disso, é necessário que haja punição para que não haja repetição!”, concluiu.

O julgamento será realizado cinco anos após a morte de Kathlen. A sessão deverá analisar as acusações contra os policiais e os elementos reunidos durante a investigação, em um processo acompanhado por familiares, organizações de direitos humanos e movimentos que denunciam a violência policial contra a população negra.

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