Danilo Oliveira , o Biu como é conhecido, foi preso hoje depois de ter sua prisão preventiva decretada na última sexta-feira (6), assim como o motorista Thiago Zem

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução

Foi preso nesta segunda-feira (9) depois de se entregar no 11º Distrito Policial (DP) de Santo Amaro, São Paulo (SP), que investiga o incêndio contra a estátua de Borba Gato, o motorista por aplicativo Danilo Oliveira, 36.

A prisão preventiva de Biu, como é conhecido, foi decretada pela Justiça de São Paulo na última sexta-feira (6), assim como a do motorista Thiago Zem, 35, e do motoboy Paulo Roberto da Silva Lima, o Paulo ‘Galo’, que está preso desde o dia 28 de julho e teve seu pedido de soltura provisória negado pela Justiça neste domingo (8). O mesmo aconteceu com seu pedido de habeas corpus no dia primeiro desse mês.

Thiago chegou a ser preso e solto provisoriamente no dia 25 de julho, um dia depois do ataque ao monumento, quando foi localizado pela polícia. Ele afirmou em depoimento que é dono do caminhão que transportou mais de 200 pneus até o local onde ocorreu o incêndio, e que cobrou R$500,00 pelo frete, mas que não sabia o que havia sido planejado.

No dia 28 de julho, se apresentaram voluntariamente ao 11º Distrito Policial de Santo Amaro, Galo, sua mulher, a costureira Géssica Silva Barbosa, 29, e Danilo. Galo e Biu se apresentaram para esclarecer suas participações no incêndio da estátua de Borba Gato, que aconteceu durante as manifestações que pediam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro no dia 24 de julho.

Ambos têm residência fixa e não possuem antecedentes criminais, mas após os esclarecimentos, foi determinada a prisão temporária dos três, mesmo de Géssica, que não estava presente no ato. O fato foi comprovado dois dias depois pelo rastreamento do seu aparelho telefônico que confirmou que a mulher estava dentro de casa no dia do ato, e só assim sua prisão foi revogada.

Os três homens já haviam sido indiciados pelos crimes de incêndio, dano, associação criminosa e adulteração de veículo, mas, diferente de Galo, Biu e Thiago estavam em liberdade até então.

Biu, que é estudante de História no 6º semestre, chegou a ficar detido junto com Paulo ao se apresentar voluntariamente, mas foi solto, e, em entrevista para a Afirmativa, conta que, sendo uma pessoa periférica, favelada, e que sofre todas as mazelas sociais, entendeu o que é luta de classes e o porquê da existência das favelas. “A revolução periférica na verdade é uma construção que ocorre desde 1500, então hoje nosso estado natural é revolta, e dia 24 de julho explodiu”, pontua.

A decisão de se apresentar voluntariamente de acordo com ele foi para não serem vistos como criminosos, por isso preferiram colaborar. “Os bolsonaristas e a direita queriam criminalizar, queriam que a polícia tirasse a gente de casa com a cabeça baixa. E a gente foi com a cara e com a coragem” comenta em entrevista concedida antes de sua prisão preventiva. Biu comentou na entrevista que já esperava que sua prisão fosse decretada, e foi de fato o que aconteceu.

“Eu sempre entendi que a estátua do Borba Gato, com mais de 10 metros de altura, é um recado para todos os séculos futuros de que os indígenas e os pretos, se saírem da margem da sociedade em que eles colocaram, sempre vai ter um bandeirante com uma arma de fogo na mão pronto para executar”. De acordo com ele, que também faz parte da torcida organizada da Gaviões da Fiel, a ação não tem vínculo com nenhum coletivo ou partido político, mas sim se trata de uma revolta popular, e que não se sente representado pela “esquerda que vai pra Paulista”.

“Óbvio que a gente defende as pautas da esquerda, mas a gente é a base que tá embaixo disso tudo, para nós a esquerda está esperando chegar 2023, a questão é: a gente favelado consegue sobreviver até lá?”, questiona. “Pra mim não tem validade subir no palanque, falar de luta social e ‘fora Bolsonaro’ porque não adianta”.

Borba Gato, assassinou e escravizou indígenas e pessoa negras

Borba Gato era um bandeirante, e atuava desbravando territórios no interior do país e na capturara e escravização de negros e indígenas, muitos destes foram mortos por consequência da ação de bandeirantes como Gato. Além das mortes que provocaram entre povos originários e pessoas negras, os bandeirantes também estupraram e traficaram mulheres indígenas, e roubaram minas de metais preciosos nos entornos das aldeias. O monumento localizado em Santo Amaro foi projetado e começou a ser construído em 1957, sendo inaugurado em 1963.

Biu afirma que a ideia não veio dos atos que chamaram atenção em 2020 em lugares como Bristol, na Inglaterra, por exemplo, onde manifestantes derrubaram a estátua do traficante de escravos Edward Colston. Para ele, aqui o ato tem mais simbologia, por ter sido um país de colonizados, não de colonizadores.

São Paulo ainda carrega outras referências que homenageiam bandeirantes, como as avenidas e estradas Bandeirantes, Anhanguera, Fernão Dias e Raposo Tavares. O próprio edifício-sede do Governo do Estado de São Paulo, se chama “Palácio Dos Bandeirantes”, assim como a emissora de TV sediada na capital paulista, a “Bandeirantes”, entre outros símbolos.