A vítima relatou que o episódio se trata de mais um caso de racismo estrutural 

Por Anna Julia Fagundes

Imagem: Reprodução

Na última terça-feira, 29, o advogado Nauê Bernardo se tornou mais uma vítima de racismo, dessa vez dentro do estacionamento do STF, após ter sido confundido com um motorista.

Em seu relato, Nauê explicou que chegou no estacionamento dirigindo seu carro, levando consigo mais três advogados brancos, e que foi orientado a se dirigir à área de desembarque. Sem compreender a situação, a vítima perguntou “É para ir para a garagem?” e o segurança então, pediu para que ele deixasse seus passageiros e deixasse o local. Entretanto, um dos advogados esclareceu que todos estavam juntos e que trabalhavam no Supremo.

Em uma postagem no twitter, a vítima relatou o ocorrido, “Chegar no Supremo de carro bom e ser confundido com motorista: check. Para a galera branca do ‘meu avô é negro’: bora trocar de pele um dia só. Eu vou me vingar disso destruindo na sustentação oral, é meu compromisso”.

Em uma entrevista com Migalhas, o advogado contou que a falta de pessoas negras em ambientes jurídicos é normalizada pela sociedade e que a situação é definida como racismo estrutural, “A sociedade normalizou que apenas pessoas brancas têm espaço nos lugares mais disputados da sociedade, às profissões mais disputadas. Essa normalização disso também trouxe a normalização de que pessoas como eu não têm acesso a esses espaços. Então, é uma questão institucional, é uma questão estrutural, que vai além do indivíduo. Calhou de eu ter voz, amplificar isso e a coisa chegar longe. Mas acontece todo dia com várias pessoas, que só conseguem engolir caladas e seguir em frente.”

O Supremo se posicionou sobre o caso e afirmou não compactuar com atitudes como estas,“O STF rechaça qualquer tipo de tratamento desrespeitoso ou preconceituoso, e está sempre atento para melhoria de suas práticas internas”.