A apresentadora Cristiana Buonamano, da Sky Sport, chamou a atleta de “macaco” ao comentar sobre a expectativa da Azzurra para o Mundial

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução Redes Sociais

Na última sexta-feira (23), uma das principais jogadoras da seleção italiana de vôlei e do mundo, Paola Egonu foi alvo de uma fala racista em um programa esportivo de uma TV da Itália. A jogadora de 23 anos é filha de imigrantes nigerianos e uma das estrelas do Mundial de vôlei, que começou nesta sexta-feira.

Após a exibição de um VT com imagens da campanha da equipe italiana na Liga das Nações 2022, que terminou a competição em primeiro lugar e rendeu à Egonu o título de melhor jogadora, a apresentadora Cristiana Buonamano, da Sky Sport, chamou a atleta de “macaco” ao comentar sobre a expectativa da Azzurra para o Mundial.

“Você falou de dois macacos, mas sabe que eu acrescentaria um terceiro: Egonu. Busca, você, um adjetivo, diferente, original. Não sei ser original”

Esta semana, um caso parecido repercutiu no Mundo. O brasileiro Vini Jr., do Real Madrid, foi alvo de um comentário racista do empresário espanhol Pedro Bravo no programa de TV “El Chiringuito”. Bravo disse que Vini Jr teria de “parar de fazer macaquice”. De acordo com o jornalista espanhol Iñaki Angulo, o atacante sofreu ameaças de integrantes do “El Chiringuito” a respeito das reações sobre a fala racista. Em uma das mensagens o atleta foi ameaçado com a frase: “se publicar o vídeo, vamos te destruir.”

Não é a primeira vez

Desde o início de sua carreira, Egonu tem sofrido com o racismo. Antes das Olimpíadas de Tóquio, a estrela já havia sido alvo de ataques por um jornalista italiano, que postou a seguinte declaração, se referindo também à sexualidade da jogadora: “Paola Egonu se torna porta-bandeira olímpica porque encarna um clichê e não por mérito esportivo. Há, pelo menos, 30 atletas na delegação italiana com um currículo mais forte que o de Egonu, mas com a culpa de serem brancos ou heterossexuais. Egonu é um triste hino ao conformismo.” A atleta tem mais de 30 prêmios individuais e domina os rankings das maiores pontuações da Itália e do mundo.

Na lista da “Forbes” como uma das pessoas mais influentes da Europa no ano passado, a jovem falou em entrevista ao jornal “Corriere della Sera” sobre o ódio de racistas e homofóbicos. “O ódio de homofóbicos e racistas me dói. Porque sou diferente. Pela cor da pele, que é a primeira coisa que você nota. Pela minha maneira de pensar e como lido com certas questões. Sei que há muitas meninas que estão na mesma situação que eu e se sentem sozinhas, não veem essa luz e nunca dão o primeiro passo. Eu me pergunto onde começa este ódio. Eu sou uma pessoa muito emotiva e isso dói”.