Pelo menos dois mortos e dezenas de feridos foram registrados durante ação policial realizada contra os indígenas

Por Daiane Oliveira

Imagem: Reprodução Redes Sociais

Após indígenas dos povos Guarani e Kaiowá retomarem o território ancestral Guapoy, no município de Amambai (MS), na última quinta-feira (23), uma operação policial foi iniciada com helicópteros, bala de borracha e tiros contra os ocupantes. Como resultado, dois indígenas foram mortos, três estão desaparecidos (duas mulheres e uma criança de sete anos) e pelo menos outros sete estão feridos.

Entre os mortos, um jovem de 25 anos foi baleado com três tiros e outro foi alvejado após ataque feito com uso de um helicóptero. Em nota, a Grande Assembleia da Aty Guasu Guarani e Kaiowá manifestou revolta afirmando que a ação policial foi “covarde” e já chama o caso de “Massacre de Guapoy”. 

“As imagens do Massacre falam por si e são de fazer doer a alma do mais duro dos seres humanos. Tiros em jovens desarmados, violações a pessoas rendidas, disparos de helicóptero, tudo isso inclusive com uso de munição letal, deram o tom da covardia levada a cabo por um corpo policial que atuou sem mandado de reintegração de posse”, diz a nota.

Na página oficial da Aty Guasu, os indígenas publicaram registros deste domingo (26) informando que “não param de chegar mortos” e os ataques pela polícia continuam. É possível assistir vídeos onde um helicóptero sobrevoa a região e indígenas correm para se proteger. Vídeos mais antigos registraram outras ações, como quando um homem no chão foi cercado por policiais e depois foi possível ouvir disparos de arma de fogo. A comunidade denuncia execução.

Para o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), é importante que providências sejam tomadas para que não haja outra tragédia como a do Massacre de Caarapó em 2016. Na época, Guarani e Kaiowá, que viviam na Reserva Indígena de Caarapó (MS), denominada pelos indígenas de aldeia Tey’i Kue, foram atacados em uma retomada, deixando um morto e dezenas de feridos, entre eles crianças.

A entidade Aty Guasu Guarani e Kaiowá ainda denuncia que os feridos são coagidos e torturados nos hospitais. O clima de medo é constante entre os indígenas e a repressão da ocupação por parte dos agentes. 

A luta por defesa do território Guapoy

Para os Guarani e Kaiowá, Guapoy integra o território tradicional que lhes foi subtraído da reserva de Amambai. A reserva de Amambai é a segunda maior do estado de Mato Grosso do Sul em termos populacionais, com quase 10 mil indígenas.

O grupo, composto por aproximadamente 30 indígenas, vivia confinado à beira de uma rodovia próxima à região, enquanto aguardava documentos que comprovem a posse do território denominado Kurupi/São Lucas, correspondente a Guapoy. Na noite de quinta, eles decidiram avançar para a sede da fazenda iniciando a ocupação após o assassinato de um jovem guarani na comunidade Taquaperi, perto do município de Coronel Sapucaia.

Alex Lopes, de 18 anos, foi executado no dia 21 de maio, enquanto coletava lenha em área próxima a uma fazenda vizinha e seu corpo foi levado até o Paraguai, a 10 quilômetros da fronteira. O caso motivou a comunidade a seguirem ativamente na busca por direitos, como à vida e território.