Texto: Divulgação
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a “Cartilha Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer”, voltada à promoção do autocuidado e ao enfrentamento das desigualdades no acesso à saúde. O material apresenta os tipos de câncer mais frequentes entre mulheres negras, orienta sobre sinais de alerta e reforça a importância dos exames periódicos. Também relaciona o racismo e o racismo religioso às barreiras no diagnóstico e no tratamento.
Segundo a instituição, a obra foi produzida em formato de conversa, reunindo imagens de mulheres e famílias negras e referências à mitologia iorubá. As yabás aparecem como símbolos de cuidado e proteção, associadas a práticas cotidianas que contribuem para a prevenção. A cartilha destaca, por exemplo, a amamentação como fator de proteção contra o câncer de mama, informa sobre a transmissão do câncer de colo do útero por via sexual e chama atenção para sintomas ligados ao câncer de intestino.
O conteúdo foi elaborado a partir da pesquisa Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer em Mulheres Negras, desenvolvida entre 2023 e 2025 por pesquisadoras do Inca em parceria com mulheres dos terreiros Ilê Axé Obá Labí, em Pedra de Guaratiba, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e Ilê Axé Egbé Iyalodê Oxum Karê Adê Omi Arô, em Nova Iguaçu, município fluminense. Os espaços religiosos participaram da construção do material, que foi pensado para circular nas comunidades de terreiro e fortalecer a troca entre saberes tradicionais e informações do sistema público de saúde.
A publicação também busca tratar o racismo como fator que interfere no adoecimento e no cuidado. O mito de que mulheres negras suportam mais dor, a recusa em respeitar indumentárias religiosas e constrangimentos durante atendimentos aparecem como obstáculos relatados por lideranças de terreiros e integrantes da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde. Para essas mulheres, práticas ancestrais como banhos de ervas e chás convivem com a busca por exames e acompanhamento médico.
Dados recentes reforçam a urgência do debate sobre desigualdades no câncer de mama entre mulheres negras. Pesquisa coordenada pelo Inca, intitulada “Mantus – Mulheres Negras e Câncer de Mama Triplo Negativo: Desafios e Soluções para o SUS”, teve início em 2022 e foi apresentada ao público durante a campanha Outubro Rosa de 2024. O trabalho busca compreender como fatores sociais, comportamentais, ambientais e biológicos se combinam para explicar por que mulheres negras têm 57% mais chance de morrer de câncer de mama do que mulheres brancas.


