Texto: Divulgação
A Cia Forè foi indicada ao Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, na categoria técnica, com cerimônia prevista para este mês de janeiro. A indicação marca o reconhecimento de um trabalho desenvolvido a partir de corpos negros periféricos e de uma pesquisa continuada que dialoga com a dança contemporânea, a ancestralidade africana e as manifestações afro-brasileiras.
Criada em 2023 por Ton Moura, artista com mais de 10 anos de atuação profissional, a companhia atua na investigação do corpo como espaço de memória e produção de linguagem. Em um contexto marcado por desigualdades de acesso e reconhecimento no campo cultural, o coletivo desenvolve criações que integram dança, teatro, música e circo, tomando como referência danças africanas, especialmente do oeste do continente, e práticas ritualísticas afro-diaspóricas.
“A gente entende o corpo negro como um arquivo vivo. Quando dançamos, estamos acessando memórias, histórias silenciadas e saberes que resistem no corpo”, afirma Ton. A perspectiva orienta os processos criativos da Forè e sustenta a compreensão da dança como prática atravessada por identidade, território e pertencimento.
O grupo é formado por Miguel Menezzes, Nayla Delfino, Thaise Reis, Jhefferson Gomes, Erick Malccon, Kidauane Regina, Rafa Araújo e Acauã Soli, artistas com trajetórias diversas e formação multidisciplinar. A criação coletiva parte das vivências periféricas e da experiência negra como elementos centrais da construção artística, deslocando narrativas historicamente marginalizadas.
Entre os conceitos que estruturam o trabalho está Umzimba, palavra da etnia Xhosa, da África do Sul, que compreende o corpo em conexão física, espiritual e comunitária. O termo orienta o espetáculo “CABAÇAS: Memórias Umzimba”, que aborda a transmissão de saberes ancestrais a partir da figura simbólica da cabaça.
Além da indicação, a Cia Forè realizou temporada no Sesc 24 de Maio e projeta a ampliação da circulação de “CABAÇAS: Memórias Umzimba”, além do desenvolvimento de novas obras por meio de editais e programas de circulação. A pesquisa segue centrada na relação entre corpo, ancestralidade e território, com o objetivo de fortalecer a presença da dança preta contemporânea no Brasil.


