Por Andressa Franco

Uma matéria da Revista Piauí denunciou nesta quinta-feira (27) um caso de assédio eleitoral no Centro Educacional Uirapuru (CEU), escola particular localizada no bairro Periperi, Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA). Os pais e responsáveis das crianças contam que foram informados pelo colégio de uma mudança no uniforme utilizado durante uma gincana, mas não explicou qual seria a alteração.

Assim, na última segunda-feira (17), os estudantes chegaram em casa com uma blusa com a bandeira do Brasil e o slogan do candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL): “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. A nova camisa ainda deverá ser paga pelas famílias, no valor de 30 reais, acrescentado à mensalidade deste mês.

Alguns dos pais e responsáveis levaram o caso ao Ministério Público do Estado da Bahia, acusando a escola de utilizar a imagem das crianças para fazer campanha em prol de Bolsonaro. O MP vai apurar possíveis crimes eleitorais de coação e captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral.

Questionado por mães e pais, o CEU pediu desculpas e respondeu que a estampa não tinha pretensões políticas, era apenas uma divulgação da imagem do Brasil em época de Copa do Mundo.

Em entrevista à Piauí, o irmão mais velho de um dos estudantes, Thiago Ramos, relatou que já vinha estranhando seu comportamento antes da chegada do novo uniforme. “Eles já tinham chegado com aquela música de campanha de Bolsonaro. A gente já achou estranho, mas ele disse que aprendeu na escola com Tiktok. Mas quando vimos a farda… Tem mães que não estão deixando usar, mas a escola diz que a camisa é farda, e os estudantes usam por medo de perder ponto”.

O uso de material e uniforme partidário em escolas e a utilização de imagem de crianças, sem consentimento dos pais, para fins eleitorais fere ao menos três legislações: a lei eleitoral, devido ao uso da autoridade (a escola) para fins particulares (campanha em prol de um candidato), o Estatuto da Criança e Adolescente, pelo uso da imagem e desrespeito à identidade de crianças e adolescentes, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pelo desrespeito à liberdade pedagógica.