O grupo Entre Becos distribuirá uma newsletter quinzenal e gratuita com reportagens produzidas por comunicadores de diferentes bairros populares soteropolitanos

Texto e Imagem: Divulgação

No último dia 3 de agosto, o coletivo Entre Becos deu início a produção da sua newsletter quinzenal, com reportagens contrapondo as narrativas violentas e estereotipadas sobre os bairros periféricos de Salvador (BA). As diversidades, potências e iniciativas periféricas soteropolitanas são pauta principal do coletivo.

A diversidade e o olhar aguçado dos correspondentes moradores de diferentes endereços da capital baiana é o diferencial do jornalismo proposto pela equipe, que acredita que essa visão local possibilita noticiar acontecimentos que, muitas vezes, são negligenciados pelos grandes veículos de comunicação.

O grupo é formado por jornalistas, cientistas sociais e agentes culturais periféricos, sob a coordenação de quatro mulheres: Brenda Gomes, Bruna Rocha, Rosana Silva e Gabrielle Guido. 

“A newsletters Entre Becos é resultado do nosso desejo de cobrir as lacunas de informações acerca das periferias, abordando assuntos voltados à saúde e bem-estar, educação, meio ambiente, arte e cultura, a partir do jornalismo local”, explica a jornalista Rosana Silva.  

A edição 0 da newsletter apresenta a proposta do boletim e conta a trajetória do coletivo que, por meio do jornalismo, vem buscando espaços para contar as histórias vindas dos becos e vielas da cidade. A publicação está disponível no link da plataforma

“Sou nascida e criada no Nordeste de Amaralina, um bairro que normalmente é retratado a partir das notícias policiais. Enquanto uma jornalista periférica e mulher negra, é o meu dever contar as histórias incríveis que existem nesse lugar”, afirma a estudante de jornalismo Bruna Rocha.

De beco em beco

A formação do grupo surgiu com o projeto piloto Mural-Salvador, realizado pela Agência Mural de Jornalismo das Periferias. De 2020 a 2021, a equipe produziu 55 reportagens sobre temas diversos para a agência. Os resultados deram impulso para a continuidade da missão de uma cobertura mais democrática, plural e amplificada das periferias. 

“Sabemos que os impactos das reportagens, mensurada pelas métricas e seus números, são importantes. Mas, também existe relevância nos comentários que recebemos dos moradores, quando circulamos pelos bairros, porque há uma promoção da autoestima das pessoas que são retratadas, numa perspectiva de protagonismo e respeito”, destaca a produtora cultural Gabrielle Guido.

Jornalismo local para as periferias

Em 2022, o coletivo foi selecionado para participar do programa Acelerando a Transformação Digital – uma parceria da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), Meta Journalism Project com a International Center Four Journalists (ICFJ) –  que visa fortalecer o jornalismo local e independente nos municípios brasileiros. 

“Essa foi a primeira seleção que participamos enquanto coletivo. Nossa proposta de cobertura das periferias foi uma das 80 iniciativas escolhidas de jornalismo local de todo o Brasil”, diz Rosana Silva.

Essa cobertura local tem um papel importante no que diz respeito ao acesso à informação, conforme explica Juan Torres, jornalista e mentor do programa Acelerando a Transformação Digital. “Nas grandes capitais, a cobertura dos veículos não chega em todos locais da cidade. E aí entra a importância de iniciativas como a Entre Becos, com recorte de jornalismo local”. Torres ressalta ainda o diferencial de uma produção formada por uma rede de profissionais espalhados pela cidade. “Se você reporta sobre o Subúrbio Ferroviário, é completamente diferente de reportar sobre Cajazeiras ou Mussurunga. Por isso, o fato de o coletivo ter várias pessoas trabalhando [em diferentes bairros] vai possibilitar este olhar plural”.

Para receber a newsletter quinzenalmente basta se inscrever aqui. Para quem prefere receber as informações via WhatsApp, é só mandar uma mensagem para:  71 9238-6768 e fazer parte da lista de transmissão do coletivo.