Cadáveres tinham marcas de tiro foi encontrada no local. A PF apura o caso, e as ministras da Saúde, dos povos Indígenas, e do Meio Ambiente, sobrevoaram a região.

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução G1

Na última segunda-feira (1), a Polícia Federal encontrou corpos de ao menos oito garimpeiros em Uxiu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Os cadáveres estavam na mesma região em que um agente de saúde indígena foi assassinado a tiros e outros dois Yanomami ficaram feridos, no último sábado (29).

Os agentes encontraram os cadáveres com marcas de tiro dentro uma cratera. Além disso, a perícia da PF encontrou uma flecha no local e a instituição está investigando o caso. Os corpos foram localizados durante um sobrevoo da PF, Polícia Rodoviária Federal, Ibama e Força Nacional na região.

A PF também reforçou a segurança na região com apoio da Força Nacional, segundo informações da Rede Amazônica.

A PF enviou agentes para perícia no local na última terça-feira (2) e informou em nota ao G1 que já havia encaminhado articulação com as demais forças de Segurança Pública e Defesa envolvidas na Operação Libertação para a retirada dos corpos do local. Articulou ainda a “realização dos exames médico-legais para se descortinar as causas das mortes e coleta de outras informações que auxiliem na elucidação do ocorrido”.

Com esse caso, chega a 13 o número de mortos na Terra Yanomami desde o último sábado (29): o indígena Ilson Xiriana, de 36 anos, que atuava como agente de saúde em Uxiu, e mais outros quatro garimpeiros. Entre eles um chefe de facção que domina garimpos no território, identificado como Sandro Moraes de Carvalho.

As mortes podem ter relação com o ataque aos indígenas da comunidade Uxiu. Com base em relatos dos indígenas que vivem na região, a Associação Hutukara Yanomami afirmou ao G1 que, após o ataque, ocorrido no sábado (29), um grupo de indígenas chegou a seguir os invasores pelo rio, mas eles revidaram novamente com tiros.

Indígenas baleados em Uxiu

Uxiu está localizada na região do rio Alto Mucajaí, uma das rotas utilizadas pelos criminosos no território. As três vítimas indígenas foram baleadas por garimpeiros que atuam na região, de acordo com informações do presidente Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami.

Eles chegaram a ser socorridos por equipes que atuam em Surucucu, uma aldeia em Roraima, ainda na tarde de sábado. Ilson Xiriana foi ferido gravemente na cabeça, e não resistiu, morrendo na manhã do domingo (30). Já as outras duas vítimas, baleados no abdômen, foram transferidos para Boa Vista, capital do estado, onde passaram por cirurgia e estão internados.

Uma dia depois do ataque, garimpeiros armados atiraram contra agentes da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama em outra região da Terra Yanomami, na região do garimpo “Ouro Mil”, em Waikás. Quatro garimpeiros morreram no confronto, um deles  foi o chefe de facção foragido da Justiça do Amapá, identificado como Sandro Moraes de Carvalho.

A PF enviou agentes para Uxiu, onde foram ouvidas testemunhas e coletados indícios dos crimes na localidade. As ministras da Saúde, Nísia Trindade, dos povos Indígenas, Sônia Guajajara, e do Meio Ambiente, Marian Silva, sobrevoaram a região onde houve o confronto.

Genocídio Yanomami: há décadas estes povos indígenas sofrem com violências e descaso por parte das autoridades

“O Estado brasileiro não vai recuar perante a criminalidade. Vamos reforçar as equipes d IBAMA, PRF e Polícia Federal, com o suporte das Forças Armadas, para que a gente possa dar uma resposta à altura”, escreveu Marina Silva em seu perfil no Twitter na última segunda-feira (1). A ministra disse ainda que entre 75% e 80% dos garimpeiros já foram retirados da Terra Yanomami, conforme informações de satélites. Mas que as ações continuarão intensificadas até que esse número chegue a 100%.

“Já destruímos 330 acampamentos de garimpo. Conseguimos retirar 20 aeronaves de operação. Duas grandes barreiras foram instaladas. Nosso serviço de inteligência tem encontrado indícios muito fortes de que alguns pontos de garimpo tinham envolvimento com organizações criminosas. O IBAMA não vai sair da Terra Yanomami tão cedo!”, finalizou.

Dossiê aponta caminhos para combater garimpo ilegal

No Abril Indígena, a articulação Aliança em Defesa dos Territórios lançou o Dossiê Terra Rasgada, que detalha o mecanismo da extração ilegal de ouro nas TI’s e também soluções para conter os crimes. A organização é formada pelos três povos mais atingidos pelo garimpo ilegal: Yanomami, Munduruku e Kayapó.

O documento foca em dois pontos: denunciar como o garimpo afeta de múltiplas formas a vida da população e também como a população indígena tem a resposta para combater os crimes. Entre as apresentadas de forma detalhada no relatório: a proteção integral de terras indígenas, por meio de ações para reprimir o avanço do garimpo ilegal e impedir novas frentes de invasão; e o controle da cadeia do ouro, implementando mecanismos já existentes, e criando novos mecanismos.