A cena se repetiu em outro desfile de crianças no Maranhão, e também se assemelha ao desfile do 2 de julho realizado em Itacaré (BA)

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução Redes Sociais

Foram divulgadas no último domingo (18), imagens de crianças negras vestidas como pessoas escravizadas no desfile em comemoração ao bicentenário da Independência do Brasil na cidade de Piraí do Sul (PR).

O vídeo que circulou nas redes sociais mostra a simulação da chegada dos portugueses no Brasil em um barco no século XV. Primeiro aparecem as crianças negras vestidas como se fossem pessoas escravizadas, e na sequências crianças brancas carregando placas com os escritos “família real” e “independência do Brasil”.

O evento contou com a presença de autoridades locais, políticos, representantes religiosos, escolas municipais e estaduais, associações filantrópicas, tropeiros e organizações empresariais.

O caso de racismo gerou manifestações de revolta na internet, e a prefeitura da cidade removeu o vídeo das suas páginas. O fundador do Voz da Comunidade, René Silva se manifestou, publicando o vídeo em suas redes. “Quem teve a ideia genial de colocar crianças como pessoas escravizadas o desfile cívico de Piraí do Sul, Paraná, deveria estar na prisão. Que loucura!”, escreveu.

Em resposta as marcações nas redes mas ainda sem emitir uma nota oficial, o Ministério Público do Paraná informou que teve ciência dos fatos e que será instaurado procedimento para apuração do ocorrido.

Casos semelhantes

O desfile de 7 de setembro teve uma cena parecida no Maranhão. A Escola Municipal Maria Francisca Pereira da Silva, na cidade de Imperatriz, expôs crianças negras em um bloco de estudantes que retratavam o período colonial brasileiro trajadas de escravizadas e mucamas, enquanto crianças brancas interpretavam personagens da nobreza. Em uma das imagens do desfile, uma das estudantes negras segura um guarda-sol ao lado de uma criança branca que desfilava coroada. No último dia 12, a Defensoria Pública do Estado emitiu um ofício exigindo esclarecimentos à Escola.

Outro caso semelhante aconteceu em Itacaré (BA), no desfile de comemoração do 2 de julho, que marca a Independência da Bahia, onde a prefeitura da cidade vestiu pessoas negras como escravizadas, e pessoas brancas como membros da corte portuguesa. As fotos foram publicadas nas redes da gestão municipal, que apagou depois da repercussão negativa.