Da Redação
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Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo neste domingo (31), o cantor e ator Seu Jorge comentou a respeito das críticas que recebeu nas redes sociais por ser supostamente retinto demais para interpretar o papel do guerrilheiro Marighella. O filme, dirigido pelo ator e diretor baiano Wagner Moura, teve estreia mundial há dois anos no Festival de Berlim, e chega ao Brasil no dia 4 de novembro.

Sobre as críticas, Seu Jorge afirma ver racismo nas raízes da controvérsia, e que dizer que Mariguella não era preto é um processo de eugenização.

“Eu convivo com isso desde criança, nunca foi diferente. O que hoje é diferente é a possibilidade de representatividade. Um dos acertos desse filme é justamente devolver a origem de Carlos Marighella, um personagem que sofreu não só um apagamento, mas também um embranquecimento, como muitos outros da nossa história”, declara.

Para o artista, a situação se deve ao fato de o Brasil ainda hoje não saber ao certo como lidar com seu histórico racista. Atribuindo o fato de Sérgio Camargo estar no cargo de presidente da Fundação Palmares, como mais um obstáculo, em uma gestão que define como “contraproducente” e “um desserviço”.

O filme é baseado no livro “Marighella o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, do jornalista e escritor Mario Magalhães, e retrata os últimos anos de vida do guerrilheiro, morto em uma emboscada em 1969.