Por Patrícia Rosa

Imagem: Reprodução

Uma professora negra foi vítima de racismo durante uma aula no último dia 08 de março. O caso aconteceu no Centro de Ensino Médio (CEM), de Ceilândia (DF). O estudante, um adolescente branco, deu um pacote de esponja de aço à educadora, uma ação racista de “homenagem” ao Dia Internacional das Mulheres.

O momento foi filmado aos risos por outros colegas da turma. O  adolescente identificado pelo vídeo como Caio entrega o pacote a professora, que responde: “Gente, recebi um presente!”. Ao abrir o pacote, constrangida e tendo que contornar a  situação, ela responde “Eu vou aceitar, por que tudo que vem, volta”. 

A Secretaria de Educação do Distrito Federal declarou que ao tomar conhecimento do caso, a equipe gestora do Colégio se reuniu com o estudante, responsáveis e com a educadora. Sobre as medidas necessárias, foi informado que  a escola tem autonomia para conduzir o ocorrido e que a instituição fará ações nas salas de aula para instruir os estudantes sobre o assunto.

“A pasta repudia qualquer tipo de preconceito e reforça o compromisso e empenho na busca por elementos que permitam o esclarecimento dos fatos, bem como o suporte aos envolvidos. Uma equipe de psicólogos e pedagogos da Coordenação Regional de Ensino de Ceilândia foi acionada para que auxiliem nessas atividades que serão desenvolvidas também em outras escolas”, afirmou a Secretaria de Educação.

A direção da escola relatou à TV Globo que solicitou ao aluno um texto com pedido de desculpas à professora aos colegas, para ser lido em aula.

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF),  se pronunciou através de nota, repudiando a ação do estudante e em solidariedade a educadora. O Sinpro não concordou com a medida tomada pela instituição, de advertência ao adolescente:

“É importante destacar que brincadeiras e piadas só são divertimentos quando todo mundo sorri e se diverte. A escola pediu ao estudante para fazer uma carta e lê-la em público pedindo desculpas e se retratando. Contudo, na avaliação do Sinpro, isso não é suficiente para reparar a profundidade e a extensão do constrangimento, do sofrimento e da dor que marcou não só a professora, mas também todos(as) que viveram a cena e sentiram o peso do racismo estrutural e do ódio às mulheres”, relatou o sindicato.