Texto: Divulgação
A exposição “Inclassificáveis”, em cartaz no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), no Centro Histórico de Salvador (BA), entra nas últimas semanas de visitação. Até o dia 9 de agosto a mostra, que reúne cerca de 100 obras de artistas baianos que retornou à Bahia após permanecerem por mais de três décadas nos Estados Unidos, propõe uma reflexão sobre a forma como a história da arte brasileira classificou e hierarquizou produções afro-brasileiras.
A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 17h, com entrada permitida até às 16h30. Os ingressos custam R$ 20, com meia a R$ 10. Às quartas-feiras e aos domingos, a entrada é gratuita.
Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição apresenta esculturas, pinturas, gravuras e objetos que desafiam rótulos como “arte popular”, “naif” e “folclórica”. A proposta é reconhecer essas produções como parte central da arte brasileira contemporânea e evidenciar seus significados artísticos, sociais e políticos.
O ponto de partida da mostra é a rematriação das obras que integravam um acervo preservado por mais de 30 anos no Instituto Con/Vida, em Detroit, nos Estados Unidos. Inspirado nas reflexões do artista e pesquisador Ayrson Heráclito, o conceito de rematriação amplía a ideia de repatriação ao defender que o retorno das obras também restabelece suas conexões com os territórios e comunidades.
A mostra ocupa o térreo e o primeiro andar do MUNCAB e está organizada em três núcleos expositivos intitulados: “Restituir Sentidos”, “Cotidianos” e “Escolas Invisíveis”. O percurso reúne obras que retratam manifestações culturais afro-brasileiras, o cotidiano urbano e rural da Bahia, além de tradições artísticas construídas a partir da transmissão de saberes entre gerações.
Entre os artistas presentes estão J. Cunha, Eduardo Santos Silva, Mauro di Verde, Babalu, Raimundo Nonato, Sol Bahia, John Kinni dy, Calixto Sales, Raimundo França, Tupinancy, Lídia Hora, Telma Sá, Didito, Palito, Gisele, Alfredo Cruz, Alberto Pitta e integrantes da Escola de Escultores de Cachoeira, reconhecida pela tradição da escultura em madeira que articula referências barrocas, afro-brasileiras e indígenas.
Outro destaque é a presença da Escola de Artífices da Ladeira da Conceição, em Salvador, representada por artistas como Zé Adário. A tradição da forja desenvolvida nesse território é apresentada como um espaço em que arte, arquitetura e religiosidade dialogam e mantêm viva uma herança cultural transmitida entre gerações.
Segundo a curadoria, além de questionar classificações convencionais, “Inclassificáveis” convida o público a refletir sobre os processos de exclusão que marcaram a história da arte brasileira. A proposta é um olhar contracolonial para essas produções e defende que elas não faz parte de uma posição periférica, mas da construção da arte nacional.


