Documento vazado ao jornal britânico The Guardian com as diretrizes internas da plataforma inclui jornalistas entre os perfis passíveis de ataque

Por Andressa Franco

Imagem: NurPhoto via Getty Images

O jornal britânico The Guardian revelou em reportagem na última terça-feira (23) que a política de moderação do Facebook admite que figuras públicas, incluindo jornalistas, sejam atacadas e até mesmo tenham sua morte pedida na rede social. As informações contidas no documento de mais de 300 páginas com as diretrizes internas da plataforma, segundo as quais a rede social liberaria as postagens em nome do livre debate, foram vazadas ao jornal.

Em resposta à repercussão negativa, o Facebook fez mudanças em suas políticas internas e se comprometeu a colaborar com as autoridades policiais em relação a discursos de ódio, que foi inclusive proibido na plataforma em junho de 2020. No entanto, a rede social de Mark Zuckerberg acredita serem legítimos pedidos de morte de uma “celebridade local menor”, contanto que a celebridade em questão não seja marcada na publicação pelo usuário.

Configuram-se como figuras públicas, para o Facebook, além de jornalistas e políticos, qualquer perfil com mais de 100 mil seguidores, ou nomes recorrentes na mídia. Outros alvos permitidos para os usuários são personagens fictícios e também pessoas mortas, desde que tenham morrido antes de 1900.

No Brasil, como um dos países que vêm registrando cada vez mais casos de agressão e ameaças a profissionais da imprensa, a revelação preocupa. Uma pesquisa dos Repórteres Sem Fronteiras sobre violência contra mulheres jornalistas, por exemplo, aponta que 73% das agressões acontecem online. Entidades como a Associação Nacional de Jornais e Associação Brasileira de imprensa se manifestaram e cobraram que medidas sejam tomadas.

Ao The Guardian, um porta-voz do Facebook declarou que a empresa acha “importante permitir a discussão crítica de políticos e outras pessoas aos olhos do público. Mas isso não significa que permitimos que as pessoas abusem delas ou as assediem em nossos aplicativos. Removemos o discurso de ódio e as ameaças de danos graves, independentemente de quem seja o alvo, e estamos explorando mais maneiras de proteger as figuras públicas do assédio”. O porta-voz afirmou ainda que a empresa regularmente consulta especialistas em segurança, defensores dos direitos humanos, jornalistas e ativistas para avaliarem suas políticas.