Final da Libertadores é marcada por casos de racismo de torcedores do Boca Juniors

A Decradi do Rio solicitou a prisão de um torcedor que fez declarações racistas ao vivo em uma emissora argentina. Outro torcedor foi preso em flagrante por chamar adolescente de macaca

A Decradi do Rio solicitou a prisão de um torcedor que fez declarações racistas ao vivo em uma emissora argentina. Outro torcedor foi preso em flagrante por chamar adolescente de macaca

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução

O torcedor do Boca Juniors que cometeu atos racistas durante uma entrevista, Ahmed Ali Mahanna, teve sua prisão solicitada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio de Janeiro no último domingo (5). 

A fala do torcedor aconteceu na última sexta-feira (3), dois dias antes da final da Copa Libertadores da América, disputada entre o time argentino e o Fluminense, com vitória do clube brasileiro.

“Estivemos lá ontem e a família e as mulheres estavam lá. Que esses covardes venham agora procurar o povo do Boca”, declarou à repórter da emissora de TV argentina Todo Noticias, que perguntou sobre as brigas e confusões entre as torcidas. “Que distúrbios, se eles têm medo? Escravos, macacos de m*rda”, grita o torcedor.

“A entrevista veiculada pelo canal de TV argentino demonstrou de forma clara, fidedigna a forma como ocorreu o fato noticiado. Considerando que o indiciado possui nacionalidade argentina e durante sua estadia em território brasileiro, ofendeu gravemente de forma racista todo um grupo racial através de canal oficial veiculado através de toda mídia”, diz trecho do pedido de prisão.

Segundo seu perfil no Linkedin, Ahmed nasceu no Kuwait, no Oriente Médio, e se formou na Argentina, onde atualmente mora. Ele trabalha como tripulante de voo da companhia aérea CrossRacer, e estuda para ser piloto de avião.

Torcedor preso em flagrante por chamar adolescente de macaca

Já na noite do último sábado (4), um torcedor do Boca foi preso em flagrante, no Rio de Janeiro, depois de chamar uma adolescente de 17 anos de “macaca” e fazer imitações do animal. Fabiano Vieira Yamuni, de 19 anos, foi detido pelo crime de injúria por preconceito e o caso foi registrado na 12ª DP de Copacabana, onde o crime aconteceu.

Fabiano é natural de Abadia de Dourados, em Minas Gerais, mas é filho de argentino e torcedor do Boca Juniors. Estava com um grupo de torcedores quando o ataque aconteceu. Uma testemunha, que não quis se identificar, afirmou que os torcedores do time argentino chamaram a adolescente de ‘mono’, que significa macaco em espanhol. 

Os ataques racistas também se deram no ambiente virtual. Em um post da Conmebol, torcedores argentinos se referiram ao jogador do Fluminense, Marcelo, com comentários ofensivos, e incluíram imagens de bananas e macacos na postagem. 

Vale ressaltar que dias antes da disputa pela Taça Libertadores, o Boca Juniors publicou recomendações para os torcedores argentinos, alertando que racismo no Brasil é crime.

Em julho, o governo do Rio de Janeiro sancionou a “Lei Vini Jr.”, em referência ao atacante brasileiro do Real Madrid Vinícius Júnior, visando interromper ou suspender eventos esportivos em caso de conduta racista. O atleta é alvo recorrente de ataques racistas durante partidas de futebol.

Racismo no Futebol

Atos racistas dentro dos estádios e atravessados pela atmosfera do futebol se tornaram rotina. De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), 41% dos profissionais que atuam no Brasil, entre eles, jogadores, membros de comissão e arbitragem, já sofreram racismo durante o exercício de sua atividade. 

Leia o especial produzido pela Afirmativa sobre o tema:

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