A jornalista Alana Rocha, primeira mulher transexual a atuar em um programa policial do Brasil, foi alvo da violência na cidade de Riachão do Jacuípe, interior da Bahia

Por Daiane Oliveira

Imagem: Reprodução

Após 30 dias de investigações, é identificado o acusado de apedrejar o carro da jornalista Alana Rocha, na cidade Riachão do Jacuípe (BA). O crime aconteceu em 13 de abril, após a jornalista questionar durante um programa na rádio local a suspensão de uma sessão na Câmara dos Vereadores.

“Eu apenas disse que achava que a sessão não precisava ser suspensa, mas que o vereador em questão poderia se ausentar do dia ao invés disso”, comentou na época Alana que já havia relatado outras violências e represálias, inclusive transfobia.

A cidade de Riachão do Jacuípe, localizada a 186 km de distância de Salvador, possui cerca de 33 mil habitantes. Só após 33 dias do crime um suspeito foi apontado pela Polícia Civil, que informou nesta quinta-feira (18) a intenção de intimar para coleta de depoimento. Até então, a identidade do autor não foi revelada. De acordo com a polícia, o caso será remetido ao Juizado Especial Criminal.

Através das redes sociais, Alana Rocha publicou uma nota de esclarecimento sobre o crime e informou que se afastaria do jornalismo para proteção da sua mãe, que está muito abalada com a violência.

“Isso tem me deixado mexida psicologicamente, abalada emocionalmente, pois a minha mãe é tudo para mim, a razão de minha vida, a cada intimação de processos que respondo, a cada ameaça, a cada ligação de pessoas que julgávamos ser nossos amigos, mas que quando se tornam notícia, partem como onças ferozes para cima de mim, a cada ataque eu vejo minha mãezinha definhar”, escreveu Alana completando que se afastaria  da atualão jornalística na cidade.