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Indígena é sequestrado e torturado por grupo de pescadores ilegais no Vale do Javari (AM)

Ineficiência das autoridades e órgãos competentes dificulta a captura dos suspeitos
Imagem: Reprodução Superintendência Regional de Polícia Federal do Amazonas

Por Matheus Souza

Um novo caso de violência contra indígenas escancara o risco constante ao qual os povos originários e tradicionais do Brasil estão expostos. De acordo com relatos da a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) enviados à Polícia Federal de Tabatinga (AM) e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Mateus Aurélio Paiva, indígena da etnia Marubo, foi sequestrado e torturado por pescadores ilegais na região do Vale do Javari (AM) na última terça-feira (3).

A região, localizada em Atalaia do Norte (AM), é o segundo maior território indígena do país e fica próximo à divisa entre Brasil e Peru. Mateus estava em viagem com a comitiva liderada pelo cacique Paulo Francisco Marubo, retornando da cidade. Na altura da Aldeia Beija-Flor, no alto rio Ituí, o indígena se afastou do grupo para pescar, utilizando uma pequena canoa, e então foi rendido.

O rapaz foi cercado por um grupo de pescadores ilegais e acusado de ter pego materiais de pesca da quadrilha. Agindo com truculência e crueldade, os torturadores amarraram pés, mãos e boca do indígena, roubaram seus pertences (uma espingarda e um celular), e o abandonaram à deriva no meio do rio. Mateus permaneceu imobilizado por mais de 24 horas, sendo resgatado com vida pelo grupo de buscas apenas às 15h do dia seguinte.

A área onde Mateus foi torturado é zona de ocupação de povos indígenas isolados, que possuem alta vulnerabilidade biológica – à exposição de vírus e bactérias vindos das cidades – e social. A região é assolada por problemas complexos, como a presença do crime organizado, além da pesca e caça ilegais. O local ficou conhecido internacionalmente após outro episódio de violência: a emboscada e assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, em 2022.

Resposta Tardia

A Univaja recebeu o relato do crime por meio de sua Equipe de Vigilância e encaminhou todo o registro da ocorrência aos órgãos competentes, na sexta-feira (6), três dias após o crime. Os documentos foram enviados para a Funai, Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF). Apesar da instituição ter oferecido apoio logístico para uma eventual diligência na área, a PF informou não ter contingente disponível para realizar a operação.

Para a organização, a demora na resposta do Estado brasileiro desde a tragédia de 2022 permitiu que grupos criminosos ligados à pesca ilegal e ao narcotráfico retomassem o controle de trechos dos rios Ituí e Itaquaí. “A situação atingiu um novo limite de criticidade”, disse em nota, reforçando que a proteção das lideranças Marubo e Matis é fundamental para evitar novos massacres na Amazônia profunda.

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