Atividade promovida pela Anaí, em parceria com outras entidades, exibiu o filme Piripkura, e contou com a presença de Felipe Tuxá, primeiro professor indígena da UFBA

Por Mônica Bichara

Imagem: Mônica Bichara

A exibição do filme Piripkura, de Mariana Oliva, Bruno Jorge e Renata Terra, foi a forma encontrada para homenagear o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, um mês após serem assassinados no Vale do Javari, na Amazônia. 

As responsáveis pela homenagem foram a Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), o Programa de Pesquisa sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB), o Programa de Educação Tutorial (PET) Comunidades Indígenas, o Programa Multidisciplinar de Pós Graduação de Estudos Étnicos e Africanos- Pós Afro e o Programa de Pós Graduação em Antropologia-PPGA da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

O paralelo entre a execução recente e o drama revelado no filme, ambos praticados por fazendeiros, grileiros, madeireiros e garimpeiros da região, foi traçado pela mediadora do evento, Maria Rosário de Carvalho, professora do Departamento de Antropologia da UFBA e sócia fundadora da Anaí. A atividade aconteceu no Auditório Raul Seixas, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, em Salvador, na última sexta-feira (1).

Descaso com os povos indígenas

“A Amazônia está em foco, mas o descaso do governo federal se estende a todos os povos indígenas no Brasil. Bruno e Dom foram assassinados porque estavam tentando preservar o território indígena da cobiça dos não-índios”, denunciou Rosário.

Os debatedores do evento, Felipe Tuxá, primeiro professor indígena da UFBA, e Rafael Xukuru-Kariri, doutorando em Ciências Políticas, também deixaram claro que o assassinato de Bruno e Dom só reforça a importância da população cobrar uma investigação rigorosa sobre o genocídio indígena no país como um todo. 

O procurador da República Ramiro Rockenbach, do Ministério Público Federal, relembrou sua vivência no Mato Grosso do Sul, “de onde saí por não suportar testemunhar o que faziam com os indígenas”. Ele, que coordena o Ofício Estadual pela Preservação dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais, disse que a Nação deve um pedido de desculpas institucional aos povos indígenas e aos descendentes dos negros escravizados.

Outro que alertou para a gravidade da situação e o racismo contra indígenas em todo o país foi o estudante Kiriri, de Letras Vernáculas, Hênio Krychaòbó. Hênio relembrou o assassinato, há um ano, do Kiriri José Francisco, em Mirandela (BA), onde outros 10 atentados já foram registrados. Casos que não tiveram a mesma repercussão dada pela mídia ao de Bruno Pereira e Dom Phillips.

O professor Felipe Fernandes, do PET, destacou a importância de valorizar os investimentos feitos pelo movimento indígena na área de comunicação. “No caso das investigações sobre o assassinato de Bruno e Dom, por exemplo, isso permitiu que a gente acompanhasse todo o desenrolar pelas redes sociais da Univaja – União dos Povos indígenas do Vale do Javari, sem a espetacularização das mídias hegemônicas”, comparou.

Piripkura

O filme Piripkura narra a dedicação de um funcionário da Funai em busca de informações e da localização de dois sobreviventes da comunidade indígena, que viviam em isolamento voluntário no Mato Grosso, em uma espécie de fuga da perseguição provocada por madeireiros e grileiros da região.