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Após adiamento, júri do caso Mãe Bernadete Pacífico acontece na próxima segunda-feira (13), em Salvador (BA)

Comunidade quilombola e ativistas se mobilizam para pressionar o sistema judiciário no Fórum Ruy Barbosa
Imagem: Divulgação

Texto: Divulgação

O julgamento dos acusados pela execução do assassinato de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, liderança quilombola de 72 anos, acontecerá na próxima segunda-feira (13), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador (BA).Mãe Bernadete foi assassinada em 2023, na sua comunidade, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado no município de Simões Filho (BA). No momento do crime, ela assistia televisão acompanhada de seus netos quando foi atingida por 25 tiros, sendo a maioria deles no rosto.

O julgamento do caso de Mãe Bernadete estava inicialmente previsto para acontecer no dia 31 de março, porém a defesa solicitou a troca de advogados e conseguiu o adiamento do júri, gerando profunda frustração e revitimização da família e da comunidade, que lutam por respostas. Essa manobra estratégica, embora amparada legalmente, escancara as fragilidades do sistema na proteção e garantia de justiça para lideranças quilombolas.

Mãe Bernadete atuava na defesa dos direitos territoriais e na organização comunitária, sendo uma voz importante na luta contra a grilagem de terras que historicamente afeta as comunidades quilombolas da região. Antes de sua morte, ela havia denunciado ameaças e conflitos relacionados à disputa por territórios quilombolas, alertando as autoridades sobre a escalada de violência contra lideranças que defendem os direitos de suas comunidades.

Em razão dessas ameaças, Mãe Bernadete estava inscrita desde 2019 no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), após denunciar riscos relacionados à sua atuação e à luta por justiça pelo assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. Binho foi assassinado a tiros em setembro de 2017, aos 36 anos, nas proximidades da comunidade. O crime também estava relacionado à disputa territorial e permanece impune até hoje.

Para a família, a dor da perda e a lentidão da justiça se misturam em um ciclo contínuo de violência e impunidade. Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete e irmão de Binho do Quilombo, explica que, no mesmo dia em que o júri de sua mãe foi adiado, o inquérito sobre o assassinato de seu irmão foi arquivado, o que levou a família a solicitar a federalização do caso de Binho. Ele interpreta essa ação como uma retaliação e um recado de um sistema articulado contra sua família.

“Para mim isso é um recado: ‘eu vou arquivar o inquérito do irmão dele no dia em que a gente conseguiu cancelar também o julgamento da mãe’, para que eu entendesse que existe um sistema por trás disso”, desabafou Jurandir.

A ampla gama de organizações da sociedade civil engajadas no caso defende que o adiamento reforça a necessidade de mobilização popular para garantir que os culpados, incluindo os mandantes, sejam devidamente responsabilizados. Por isso, organizam-se para uma mobilização no mesmo dia do júri.

Amanda Oliveira, ativista do Odara – Instituto da Mulher Negra, destaca a importância da presença popular neste momento decisivo. “Mãe Bernadete não representava apenas o quilombo dela, ela representava nacionalmente os quilombos do Brasil. Ela pediu ajuda, pediu socorro a todas as instâncias jurídicas desse país, mas, mesmo assim, o Estado falhou na proteção e segue falhando na responsabilização dos envolvidos. Nosso papel enquanto movimento social é essencial nessa exigência por justiça; vamos pressionar e exigir respostas.”

Antes do júri, às 7h, movimentos sociais, organizações quilombolas, movimento negro e de mulheres negras convocam a todos para um ato pedindo por justiça, em frente ao Fórum Ruy Barbosa. A responsabilização dos culpados pela morte de Mãe Bernadete é um marco fundamental na luta contra a violência sistêmica que atinge lideranças quilombolas em todo o Brasil.

SERVIÇO

O quê: Ato por justiça (7h) e Júri popular do caso Mãe Bernadete Pacífico (8h)

Onde: Fórum Ruy Barbosa, Nazaré – Salvador

Quando: 13 de abril de 2026 (segunda-feira)

Onde: Fórum Ruy Barbosa – Praça Dom Pedro II, s/n – Nazaré, Salvador – BA

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