A ação pede uma indenização no valor de R$ 10 milhões, um pedido público de desculpas nas redes sociais e multa de R$ 100 mil em caso de reiteração da conduta, em qualquer espaço digital

Da Redação

Imagem: Joel Klamar/AFP

Na última sexta-feira (8) o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (MPDFT) acatou a ação civil pública protocolada pelas entidades Educafro, Centro Santo Dias, Aliança Nacional LGBTI+ e ABRAFH contra o ex-piloto de 69 anos Nelson Piquet pedindo uma indenização no valor de R$ 10 milhões. O valor deverá ser revertido para a abertura de editais que contemplem projetos que defendam pautas do movimento negro e LGBT+.

A iniciativa é uma resposta às falas racistas e homofóbicas em relação ao heptacampeão mundial Lewis Hamilton. A ação foi movida no dia 4 de julho e pede reparação de dano moral coletivo e dano social infligidos à população negra, à comunidade LGBTQIA+ e ao povo brasileiro de modo geral. O juiz Felipe Costa da Fonseca Gomes deu prazo de 15 dias para que Piquet apresente uma contestação.

Além da indenização no valor de R$ 10 milhões, as entidades pedem que o brasileiro seja condenado a publicar um pedido público de desculpas em todas as redes sociais, “reconhecendo o erro de fazer alusão racista a qualquer pessoa” e “retratando-se das afirmações racistas e homofóbicas”. Os autores solicitam ainda que ele seja condenado a pagar multa de R$ 100 mil em caso de reiteração da conduta, em qualquer espaço digital.

“Eu realmente não me importo”

Ao invés de se desculpar e reconhecer o erro, Piquet voltou a comentar o caso, minimizando sua repercussão. Em entrevista ao “Motor Sport Magazine”, o ex-piloto afirmou que não se considera racista. “Isso é tudo besteira, eu não sou racista. Não há nada, nada que eu disse errado. O (termo) que eu usei é uma palavra muito suave, até usamos com alguns amigos brancos. Eu realmente não me importo, isso não atrapalha minha vida”.

Antes disso, Piquet chegou a comunicar um pedido de desculpas a Hamilton, argumentando um equívoco na tradução do termo, e alegando que a palavra é usada coloquialmente no Brasil.