Por Luana Miranda*
Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias, Marcos Felipe da Silva Salviano e Rafael Chaves de Oliveira foram condenados por fraudar a cena da morte de Kathlen Romeu, jovem negra de 24 anos, baleada durante uma operação no Complexo do Lins, no Rio de Janeiro (RJ), em 2021. A sentença foi deferida na última quinta-feira (19) pela 6º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do estado.
Cada um dos agentes envolvidos recebeu pena de dois anos e 15 dias, em regime aberto (os condenados podem trabalhar fora do presídio, mas retornam para a detenção durante a noite). Contudo, terão suspensão condicional da pena por três anos – cumprindo em liberdade serviços e condições impostas pela Justiça. Os réus também terão que arcar com uma multa financeira de 15 dias.
A condenação alterou a sentença executada pela Auditoria da Justiça Militar de agosto de 2025. Nela, os três policiais foram absolvidos do processo que os acusava de remover cápsulas de fuzil do local do crime. Com a nova sentença, ainda ficou comprovado que os policiais fraudaram provas sobre troca de tiros com traficantes na região ao apresentarem 12 cápsulas de munição e um carregador de fuzil à Delegacia de Homicídios. De acordo com o novo tribunal, esse confronto nunca existiu.
A tentativa de fraude por parte dos policiais tinha o objetivo de mascarar a origem do tiro que atingiu Kathlen e de endossar a narrativa que a jovem estava no meio de um confronto entre a polícia e os traficantes, nesse sentido, a ação dos agentes seria em legítima defesa. Diante do falso depoimento dos réus, o tribunal ainda considerou que houve danos à credibilidade da atividade policial e revitimização da família da jovem. Dois dos policiais que foram condenados por fraude, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, também são acusados de matar Kathlen e vão a júri popular, até agora, sem data marcada.
O crime
Kathlen Romeu era modelo e designer de interiores, tinha 24 anos e estava grávida de quatro meses do seu primeiro filho. A modelo foi assassinada no dia 8 de junho de 2021, quando caminhava no bairro do Lins de Vasconcelos, comunidade da zona norte do Rio de Janeiro. Atingida com um tiro de fuzil no tórax durante uma operação da Polícia Militar na comunidade, Kathlen não resistiu aos ferimentos. Na ocasião, a modelo visitava a avó que morava no bairro.
*Com informações da CNN e do G1


