O caso aconteceu em Olinda e é investigado pela Delegacia do Varadouro. Alexandre Santos foi também suspenso de partido e organização social que fazia parte

Por Andressa Franco

Através da publicação de um vídeo das redes sociais, veio à tona mais um caso de violência sexual na última quinta-feira (02). O caso se refere a Alexandre Alberto L’Omi L’Odò Santos De Oliveira, 41, historiador e mestre da religião Jurema Sagrada, investigado pela Delegacia do Varadouro por abusar sexualmente de uma adolescente de 14 anos e gravar em vídeo.

Em nota pública, a Casa das Matas do Reis Malunguinho, terreiro tradicional de Jurema Sagrada fundado por Alexandre, repudiou tanto o crime de violência sexual, quanto a divulgação do vídeo.

“Entendemos que L’omi é um dos representantes de maior relevância nas lutas dos povos de terreiro, assim seu comportamento tem uma proporção imensurável dentro de cada casa de Orixá, Jurema, Voduns, etc, pois fragiliza a batalha que estamos tendo há mais de 500 anos contra todo e qualquer racismo e todas suas consequências que ainda estão emaranhadas na sociedade atual”.

Também afirmaram por meio da nota que não teriam condições para acolher a vítima e sua família, agradecendo aos terreiros que se colocaram à disposição. Expressaram o desejo de que a justiça seja feita, e ressaltaram que a apuração não tem nenhuma ligação com os ritos e atividades desenvolvidas pela comunidade.

Repercussão

Nascido em Recife, Alexandre concorreu para vereador de Olinda pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em 2020, somando apenas 182 votos, pelo mesmo partido ele também já havia disputado eleições em 2018, para deputado estadual. Em abril de 2016 ele chegou a ser recebido pela então presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

A direção do partido suspendeu o filiado de suas obrigações partidárias, e expressou o “repúdio veemente à ação registrada em vídeo contra uma adolescente, menor de 14 anos e, por isso, em condição de vulnerabilidade”.

O vereador Vinícius Castello (PT), que também é advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Olinda, reforçou que “o compartilhamento do vídeo também configura crime, de acordo com o art. 218-C do código penal, punido com reclusão de 1 a 5 anos. Se você recebeu ou tem esse vídeo salvo, apague e não o dissemine”.

O crime foi repudiado também em nota assinada por diversos coletivos e organizações, como a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, a Secretaria Estadual de Mulheres do PT, entre tantas outras. Além da Unegro – União de Negros e Negras por Igualdade, da qual Alexandre inclusive fazia parte, mas foi suspenso e, a depender da conclusão das investigações, poderá ser expulso.

“É inadmissível que nós, mulheres, continuemos expostas a situações como esta, onde um homem adulto, que ocupa uma posição de poder e liderança use da sua influência para violentar meninas e mulheres. Infelizmente além da violência sexual vivida pela adolescente, com a circulação do vídeo, ela está sendo exposta socialmente e sendo vítima de diversos ataques machistas e misóginos”

A nota ressalta ainda algumas pessoas estão se aproveitando da violência sofrida pela adolescente para se manifestar através de argumentos pautados no racismo religioso. “Sobre isso, afirmamos: nenhuma religião de matriz africana e indígena compactua com essas práticas. As religiões de matriz africana e indígena pregam o amor, o respeito e a solidariedade. Cuidar de si e cuidar do outro é fundamento. O corpo é um dos meios pelo qual nos comunicamos com o sagrado”.