As mulheres indígenas relatam casos de intimidação que vem ocorrendo desde o dia 07 de setembro por parte dos golpistas

Por Jonas Pinheiro*

Imagem: Dheik Praia

A 2ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, que teve inicio neste dia 07 de setembro com a chegada de milhares de índigenas de todo o país em Brasília, foi adiada devido ao protesto de bolsonaristas na capital federal. A Marcha até o Palácio do Planalto estava prevista para a manhã desta quinta-feira (09). Em consenso com as coordenações das diversas regiões do país, por questões de segurança o ato foi adiado para amanhã, sexta-feira (10). Bolsonaristas interditam o caminho com caminhões, carros e cavalos. A coordenação do evento entrou em contato com as autoridades para que o caminho fosse liberado, mas não houve sucesso.

O temor da coordenação do evento é de que o grupo bolsonarista, que se encontra acampado em Brasília desde os protestos golpistas do último dia 07, ataquem às mulheres indígenas. Fato que ocorreu de modo intenso na noite do dia 7, quando o acampamento das mulheres na Funarte foi rodeado por grupos bolsonaristas.

“A decisão tem como objetivo garantir a vida das mulheres, anciãs, jovens e crianças presentes, na mobilização que acontece desde o dia 7 de setembro, na capital federal”, informou em nota as entidades reesposáveis pela Marcha. De acordo com a nota, grupos extremistas, fascistas, armados, muitos identificados com camisetas escrito Agro, seguem invadindo a Esplanada dos Ministérios. Por todo o país têm acontecido manifestações golpistas, e caminhoneiros fecharam estradas importantes.

Nara Baré, uma das coordenadoras do evento, relatou em fala para as mulheres indígenas da Amazônia, que já há relatos de pessoas sendo hostilizadas pelos bolsonaristas. “Então eu coloco assim de forma bem transparente para vocês, que não é que a gente tenha medo, mas que coloquemos aqui a segurança de todos como prioridade”, afirma a liderança.

A segunda edição da Marcha das Mulheres Indígenas tem como tema: “Mulheres originárias: reflorestando mentes para a cura da Terra”. A primeira marcha, em 2019, reuniu 2.500 mulheres de 130 povos indígenas. Até a manhã desta quinta-feira, são contabilizadas 4 mil mulheres  de mais de 100 etnias.

Um dos desdobramentos desta edição é reforçar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o marco temporal.

*Com informações de Dheik Praia