Livro conta a história da baiana Tia Ciata e sua influência no desenvolvimento do samba no Rio de Janeiro

“Tia Ciata, a grande mãe do samba”, de Nei Lopes e Rui Oliveira, narra a história de Hilária Batista de Almeida, que abriu as portas da sua casa para que sambistas se reunissem em uma época em que o gênero era criminalizado

Por Andressa Franco

“Em Tia Ciata, a grande mãe do samba, somos convidados a um passeio de volta ao início do século XX e à Pequena África, região no centro do Rio de Janeiro que foi palco de transformações que marcaram a cultura de todo o país.”, diz um trecho da sinopse do novo livro de Nei Lopes, ilustrado por Rui de Oliveira: “Tia Ciata, a grande mãe do samba”, publicado na última sexta-feira (29) pela Editora Nova Fronteira. 

A obra adota o formato de álbum, com imagens inspiradas no início do século XX, e pode ser adquirido no site da Editora Nova Fronteira.

A publicação apresenta personalidades como Heitor dos Prazeres, Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Plácida dos Santos e a própria Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata. Nei Lopes narra a história da sambista e da sua influência no desenvolvimento do samba no Rio de Janeiro. 

Em 1890, apenas dois anos depois da promulgação da Lei Áurea, a “vadiagem” passou a ser crime estabelecido no Código Penal. Um meio de controle sobre a população negra. O simples fato de andar na rua sem comprovar que estava trabalhando poderia render uma prisão de até 30 dias. Assim, o samba passou a ser enquadrado como um dos símbolos da criminalidade, e carregar um instrumento de percussão abria margem para interpretação de indício de vadiagem.

Foi nesse contexto que Tia Ciata abriu as portas da sua casa e do seu quintal para que sambistas se reunissem e manifestassem o gênero musical. A “vadiagem” só deixou de ser crime a partir do Código Penal de 1940, assinado por Getúlio Vargas.

Da Bahia para o mundo 

A história de Hilária começa em Santo Amaro (BA), onde nasceu, em 1854. Com apenas 16 anos, participou da fundação da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, também no Recôncavo Baiano. Filha de Oxum, foi iniciada no candomblé em Salvador, e se tornou uma das mais importantes Ialorixás da sua época.

Aos 22 anos, foi viver no Rio de Janeiro, na região da Pequena África, localizada na Praça Onze, para onde levou a cultura do samba de roda da sua terra natal. Foi lá também que se casou com João Baptista da Silva, com quem teve 14 filhos. 

“Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, em 1916, foi concebido no quintal da casa da matriarca.

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