O filme mostra um Brasil distópico com um governo que despacha negros para a África, já circula em festivais internacionais e vêm ganhando prêmios há um ano e meio; no próximo dia 15 o Festival do Rio realizará a primeira exibição no Brasil

Por Andressa Franco
Imagem: Reprodução

Filme que marca a estreia do ator Lázaro Ramos como diretor, ‘Medida Provisória’, está há um ano e meio circulando por dezenas de festivais internacionais, mas ainda não tem data para chegar aos cinemas brasileiros.

O motivo se assemelha ao ocorrido com ‘Marighela’, de Wagner Moura: censura por parte da Ancine (Agência Nacional do Cinema). No caso de ‘Marighela’, o filme seria lançado em 20 de novembro de 2019, Dia da Consciência Negra, mas a estreia foi cancelada por problemas com trâmites na Ancine. Assim como as duas datas propostas em sequência.  

O longa de Lázaro Ramos vem encontrando dificuldades para ser autorizado a estrear no circuito nacional, enquanto ganha prêmios pelo mundo. Em vídeo publicado em uma rede social nesta terça-feira (7), o artista comentou o quanto é questionado pelas pessoas que acompanham seu trabalho, sobre quando o filme chega no Brasil.

Também comunicou que continuam “impossibilitados e sem data a oferecer a vocês para assistir ao filme no cinema”. O ator anunciou que o Festival do Rio realizará uma exibição única e pontual, a primeira no país mais de dois anos após ter sua filmagem concluída. Terá entrada gratuita, no dia 15/12 às 21h no Cinema Lagum, sendo necessário apresentar carteira de vacinação.

Entre as razões, escreveu que “‘Medida Provisória’ segue impossibilitado de ter seu lançamento no Brasil apesar dos inúmeros recursos submetidos por suas produtoras e coprodutoras à Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Explicamos ainda que questões burocráticas seguem sem retorno conclusivo da agência desde novembro de 2020”. No entanto, afirma que a equipe segue confiante no órgão, e espera poder anunciar, em breve, uma data de lançamento para que todos os brasileiros possam conhecer o longa.

O filme é baseado na obra teatral de Aldri Anunciação, “Namíbia, Não!”, e conta a história de um Brasil em um futuro distópico, quando um governo autoritário decreta uma medida provisória que obriga os cidadãos negros a migrarem para a África, criando caos, protestos e um movimento de resistência clandestino que inspira a nação. O elenco conta com nomes como Seu Jorge, Taís Araujo, Alfred Enoch, Adriana Esteves, Renata Sorrah, Mariana Xavier e Emicida. O roteiro foi escrito por Lázaro com Luisa Silvestre e os co-roteiristas Aldri Anunciação e Elísio Lopes Jr.

Em nota enviada pela assessoria da obra nesta segunda-feira (7), as produtoras responsáveis por Medida Provisória vêm questionando a Ancine sobre questões burocráticas que impedem o lançamento do longa desde novembro de 2020. Segundo o comunicado, o lançamento vem sendo repetidamente adiado no país devido à falta de retorno da Ancine para a aprovação de uma eventual data de estreia.

Em outubro deste ano, a produção enviou um questionamento formal à agência para entender os motivos do atraso da confirmação do lançamento. Segundo a assessoria do ator, a Ancine confirmou o recebimento da carta, mas não houve manifestação por parte de outros setores.

“Ao longo de mais de um ano foram trocados com a agência dezenas de e-mails, checados o recebimento e andamento de protocolos, bem como foram realizadas consultas processuais”, diz um trecho da nota.

Também em nota, a Agência se manifestou afirmando que a obra passa por um processo padrão de análise de interesse em investimento na distribuição do longa.

“A Ancine informa que o filme ‘Medida Provisória’ recebeu para a sua produção o valor total de R$ 2,7 milhões, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Atualmente o projeto encontra-se na fase de análise do pedido de investimento para a sua distribuição em salas de cinema. O investimento em distribuição é uma opção do fundo para aumento da sua rentabilidade, a ser decidido após conclusão da análise técnica. O projeto, portanto, segue o trâmite normal no âmbito da agência”.