Por Jamile Novaes*
Na última quarta-feira (6), o judiciário baiano retomou aos audiências referentes ao julgamento do apresentador Marcelo Castro – o Juca –, do editor Jamerson Oliveira e de outros 10 réus ligados ao desvio de R$ 407 mil doados para crianças doentes e em vulnerabilidade financeira, durante o programa Balanço Geral, da Record Bahia.
Segundo informações do portal de notícias Bnews, o processo, que tramitava em segredo de justiça, teve o sigilo retirado pelo Juiz Waldir Viana Ribeiro, da Vara de Organizações Criminosas de Salvador (BA). As informações divulgadas revelam que Juca costumava circular acompanhado de homens armados, o que gerava medo e intimidação nas vítimas do golpe financeiro.
“Houve a ocorrência de uma vítima reportar situação de medo, de perigo, de risco… Medo de ser assassinada em nome de Marcelo Castro”, contou, em depoimento, o delegado Charles Leão, responsável pelo inquérito do caso no âmbito da Polícia Civil.
Os depoimentos apontaram ainda Jamerson era peça central no esquema, se utilizando do seu poder de decisão na emissora para selecionar os casos que iriam ao ar e autorizar qual chave PIX seria utilizada para receber as doações. “Eu sinto que ele é a função essencial dentro dessa coisa. Sem ele nada aconteceria”, afirmou o delegado.
Enquanto isso, Lucas Costa Santos, produtor do programa era responsável por encontrar as famílias em situação de vulnerabilidade e recrutar os “laranjas” que disponibilizavam as contas para receber os valores enviados por telespectadores. O então repórter Marcelo Castro ficava com a função de pedir doações aos telespectadores em nome das famílias. Embora, durante a audiência, a defesa dos réus tenha tentado desqualificar as provas técnicas juntadas ao processo, questionando a origem dos dados e o seu processamento, o delegado Charles Leão garantiu que “o extrato bancário fala de forma objetiva, sem influência humana”.
Para rastrear a movimentação dos valores desviados, a polícia recorreu aos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), e a perícia do Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB). Do total de cerca de R$ 543 mil arrecadados por meio de doações, apenas 25% chegou realmente às famílias que precisavam do dinheiro.
O julgamento continua nesta quinta-feira (7), quando os 12 réus serão interrogados.
*Com informações de Bnews


