Texto e Imagem: Divulgação

Nesta quarta-feira (7/9), o Brasil completa dois séculos de sua independência. Um fato cheio de  contradições que deram origem à nova dramaturgia da TV Cultura e do cineasta e diretor de  TV, Luiz Fernando Carvalho. O projeto para a minissérie “Independências” surgiu na  emissora a partir de pesquisa inicial realizada pelo jornalista José Antonio Severo. 

Independências levou um ano e meio para a pesquisa,  criação e realização, e estreia justamente no dia 7 de setembro, contando com 16 episódios, que serão exibidos semanalmente. O primeiro episódio será exibido na TV Cultura no mesmo dia, às 22h. 

A minissérie  foi desenvolvida por Luiz Fernando em parceria com o dramaturgo Luís Alberto de Abreu,  com quem o diretor já realizou projetos como ‘Hoje é dia de Maria’, ‘Capitu’ e ‘A  Pedra do Reino’, ambas da TV Globo. 

“Indepedências” nasce com a ideia central de reivindicar a participação de um enorme conjunto  de saberes, culturas, subjetividades e personagens que foram postos à margem ou que,  violentamente, foram apagados pela história contada sobre a luta pela emancipação brasileira.  Como por exemplo, protagonistas negros como a baiana Maria Felipa, cuja participação foi  referencial, e o Padre José Maurício, maestro da Corte Imperial, ausente dos registros  tradicionais sobre o fato. 

O elenco terá nomes como Antonio Fagundes, Daniel de Oliveira, Walderez de Barros, Maria  Fernanda Candido, Jussara Freire, Lea Garcia, Fafá de Belém, Renato Borghi, Pedro Paulo  Rangel, Cacá Carvalho, Marat Descartes, Gabriel Leone e André Frateschi , entre outros. 

Baianos em Independências  

A participação do povo baiano na história da Independência do Brasil é inegável. Na dramaturgia  não será diferente, já que a trama conta em sua equipe com nomes como o da cantora Margareth Menezes; do doutor em Letras pela Universidade de São Paulo – USP e cantor, Tiganá Santana; das atrizes baianas, Verônica Mucúna, interpretando Maria Felipa, e Alana Ayoká, que faz a  personagem Peregrina (em sua fase jovem). 

A tradução das falas para o Kimbundu, idioma africano trazido para o Brasil pelos escravizados  durante a colonização, ficou por conta do professor, também baiano, Niyi Monazambi. O  poliglota, que fala oficialmente 13 idiomas, dentre eles o kikongo, fon, yorùbá, mandarim,  russo e holandês, é um dos únicos tradutores fluentes de Kimbundu no Brasil. 

Niyi avalia a série como fundamental  para construção de outras narrativas da história do povo brasileiro. 

“Foi muito gratificante fazer parte deste corpo técnico. Ressignificar e ajudar a recontar a  nossa história são movimentos fundamentais, para combater o apagamento de personagens,  durante estes duzentos anos de independência, como Maria Felipa”, afirma. O criador da Kalunga Idiomas e Experiências, que oferece cursos de Kimbundo, em formato on-line e atualmente atende alunos de várias partes do mundo.