Por Andressa Franco

Morreu na última segunda-feira (14) a primeira mulher negra a conquistar um doutorado no Brasil, a professora Anaide Freitas, em Aracajú (SE), onde nasceu e viveu. Formada em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1950, Anaide realizou seu doutorado em Santos, São Paulo.

A professora doutora ocupou por 14 anos o cargo de secretária de estado da Saúde de Sergipe e gestora do Instituto Parreiras Horta. Ela deixa dois filhos e quatro netos.

A educação foi por muito tempo negada para as negras e negros. O Estado Brasileiro, a partir da Constituição de 1824, garantia a escola como um direito de todos os cidadãos, classificação que não se estendia aos escravizados e negros. Ainda que libertos, era preciso ter rendimentos, posses e “a soma de oitocentos mil réis” para ter garantidos os direitos. A própria legislação do império afirmava que “negros não podiam frequentar escolas, pois eram considerados doentes de moléstias contagiosas”.

Ainda hoje, se trata da parcela da sociedade que menos acessa esse direito. Dos 10 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos de idade que deixaram de frequentar a escola sem ter completado a educação básica, 71,7% são negros. E a razão pela qual a maioria afirma ter parado de estudar, é a necessidade trabalhar.

A professora doutora Anaide foi a primeira a dar um passo que inspira a luta por uma educação de qualidade para uma população que sempre teve seus direitos negados. E hoje tem nessa ferramenta um dos caminhos para modificar a própria realidade.