Por Andressa Franco

Na última terça-feira (06), o motorista de aplicativo Noelson Morais foi vítima de injúria racial durante uma corrida que atendeu em frente a um shopping de Salvador. A passageira, que estava com uma criança, pediu que Noelson cometesse uma infração de trânsito, ao negar o pedido, a passageira reagiu o chamando de “Desgraçado, preto!”.

Por conta das ofensas, o motorista voltou para o local onde iniciou a corrida para deixar a passageira e a criança, o que gerou mais ofensas e xingamentos a Noelson. “Ela começou a me ofender, me xingar, me chamou de merda, de um preto desgraçado e o menino começou a me xingar também”, narrou Morais em entrevista ao portal Alma Preta.

Ele registrou a queixa de crime de injúria racial na 16ª Delegacia de Polícia Civil, que está investigando. Noelson abriu ainda uma ocorrência na plataforma do aplicativo da Uber, mas afirmou não ter recebido suporte. Em nota, a empresa informou que a conta da usuária foi desativada e afirmou que adota ações de prevenção aos crimes raciais.

Em maio deste ano, com o objetivo de combater o racismo dentro da sua plataforma, a Uber lançou a campanha “Se você é racista, a Uber não é pra você”. Projeto com intenção de divulgar dentro do próprio aplicativo, de maio a julho, uma série de vídeos desenvolvidos junto a especialistas para serem acessados pelos usuários e motoristas.

A divulgação chegou por e-mail aos usuários perguntando: “Será que você já foi racista?”, e explicando que a intenção da campanha é, mais do que remover ofensores da plataforma, ajudar a prevenir que esses comportamentos aconteçam. Apesar disso, a empresa até então não ofereceu assistência jurídica ao motorista.