O vendedor de cerveja negro foi agredido quando tentava vender seu produto para a turista de Teresina (PI)

Por Patrícia Rosa

Imagem: Portal Cidade Verde

A turista Lia Raquel Soares Regis, de 40 anos, presa em flagrante ao chamar um vendedor ambulante de “macaco”, durante a passagem de um bloco no carnaval de Salvador (BA), teve liberdade provisória concedida pela justiça, nesta quinta-feira (23).

A mulher, que é natural de Teresina (PI), está proibida pela justiça de frequentar  o circuito do carnaval em Salvador ou locais destinados a práticas artísticas ou culturais. Faz parte da decisão que Lia Raquel compareça a todos os atos processuais e que vá bimestralmente no  período de um ano, à sala da Central Integrada de Alternativas Penais, na Vara de Audiência de Custódia de Salvador, para atendimento e orientação.

A advogada criminalista Fabiane Almeida fala que a decisão não é definitiva e que acredita que ocorra a denúncia de injúria racial para que a mulher venha a ser condenada. “ O crime é de dois a cinco anos, espero que tenhamos essa condenação.”

A vítima é um homem negro e trabalhava durante o carnaval vendendo cerveja, quando foi chamado de “macaco” pela turista, na tarde da última terça-feira (21). “Ele foi chamado de macaco por ter insistido na venda da cerveja e a mulher irritada o ofendeu e depois perante a autoridade policial ela disse que jamais cometeria o crime, por ter um filho negro”, explicou a advogada Fabiane.

É preciso destacar que a classe dos  vendedores ambulantes é composta majoritariamente por pessoas negras. De acordo com dados de 2017 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, dos 13 milhões de desempregados no país na época, 8,3 milhões (63,7%) eram negros. Como resultado do desemprego, 67% dos ambulantes no país também são negros.

Os microdados da PNAD  divulgados em novembro de 2022 pelo IBGE revelam que o quadro não mudou. Dos 39,1 milhões de trabalhadores na informalidade, cerca de 24 milhões (61,3%) são negros.

O carnaval de Salvador de 2023  teve nove denúncias de racismo  registradas  no circuito da festa, de acordo com a Secretaria De Promoção Da Igualdade Racial, dos Povos e das Comunidades Tradicionais (Sepromi).

Leia a decisão completa: