Erika Hilton(Psol) e a ativista Amanda Paschoal,  solicitaram  que o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), assuma as investigações do caso.

Por Patrícia Rosa

Imagem: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo identificou e intimou a prestar depoimento Jaqueline Santos Ludovico, de 33 anos, após ser flagrada proferindo ataques homofóbicos a um casal em uma padaria no centro de São Paulo (SP), na madrugada do último sábado (03). A situação foi registrada em vídeo.

“Eles acham que são viados e podem fazer o que querem, até onde estamos tranquilos e os valores estão sendo invertidos. Eu sou de família tradicional, tenho educação. Eu sou branca, olha a hipocrisia, o mimimi, vamos lá chamar a polícia, vamos ver quem vai preso aqui”, disse Jaqueline.

Adrian Grasson e Rafael Gonzaga, tentavam estacionar o carro em uma padaria quando Jaqueline começou a sequência de agressões. Eles relataram o ocorrido em suas redes sociais. “Uma mulher começou a gritar ofensas homofóbicas contra nós desde que tentavam estacionar o carro ao lado do carro dela, nos perseguiu até a porta da padaria, atirou um cone de trânsito contra nós e entrou na padaria para dar sequência ao show de horrores”, declarou Rafael, que teve o nariz machucado. 

Adrian Grasson declarou ao Jornal O Globo que a agressora afirmou ter uma ‘arma’ no carro. De acordo com as vítimas, o veículo não foi revistado.

“Quando a Polícia Militar chegou, nós relatamos o que tinha acontecido e que ela falou da arma, mas eles disseram que não ouviram nada disso e sequer revistaram o carro dela. Também alegamos que ela estava visivelmente bêbada, mas os policiais também afirmaram que não estavam constatando sinais de embriaguez.”

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a autora do crime será ouvida e as imagens da câmera de segurança serão analisadas. 

“As vítimas foram ouvidas e requisitado exame de corpo de delito. Os PMs que atenderam a ocorrência foram ouvidos pela autoridade policial, bem como a autora, que foi identificada. O setor de investigação analisa as gravações apresentadas e realiza diligências, visando identificar novas testemunhas, bem como obter demais evidências que auxiliem na elucidação dos fatos.”

A padaria Iracema Pães & Doces, emitiu uma nota  onde lamenta e repudia o ocorrido e se coloca à disposição das autoridades policiais para prestar informações e depoimentos.   

“Fornecemos todo suporte necessário para o nosso cliente realizar o registro do boletim de ocorrência. Apesar de não ter sido divulgado no vídeo, nossa segurança foi acionada para garantir que a agressora se retirasse do local a fim de evitar mais transtornos.”

Deputada aciona o Ministério Público

Erika Hilton (Psol) e a ativista Amanda Paschoal, de forma conjunta, solicitaram  que o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), assuma as investigações do caso. A deputada se manifestou através de sua rede social, nesta quarta-feira (07), onde também cobrou a falta de posicionamento e apoio do estabelecimento às vítimas.

“O estabelecimento, aparentemente, não tomou as devidas providências para que a criminosa fosse retirada do local, o que permitiu que ela permanecesse agredindo Rafael e Adrian, enquanto a Polícia Militar só se dirigiu ao local após quatro denúncias feitas pelo telefone”, declarou a parlamentar.

As investigações do caso estão sob a condução da Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais contra a Diversidade Sexual e de Gênero e outros Delitos de Intolerância (Decradi).