A vítima, uma mulher negra, foi acusada de furto e impedida de sair da loja

Da Redação

Imagem: Arquivo Pessoal

A recepcionista Fernanda Rodrigues, de 42 anos, foi vítima de racismo e acusada de furto, dentro da loja Renner, no Shopping Bela Vista, em Salvador (BA). Após ser caluniada, Fernanda, que é hipertensa, passou mal, caiu e fraturou o pé. O caso aconteceu na última sexta-feira (20).

A vítima foi abordada e impedida de sair da loja pelo segurança do estabelecimento, que acusou a recepcionista de furtar produtos com outra cliente, que também foi abordada pelo funcionário. A recepcionista informou que não conhecia a suspeita e estava sozinha na loja.

“Quer dizer que você está roubando a loja junto com essa mulher? Eu disse: ‘ Como é que é?’ Você viu?’ Ele falou: Eu vi. As câmeras estão aí para provar”, declara Fernanda ao portal G1.

De acordo com a vítima, após a acusação ela foi expulsa da loja. O funcionário então recebeu uma ligação pelo rádio e entrou em uma sala reservada para funcionários.

Em nota, a Renner diz que vai colaborar com as investigações, mas nega que existam imagens do momento da  acusação: “Após verificar as imagens captadas pelo circuito interno de TV e analisar cuidadosamente os fatos à nossa disposição, não encontramos evidências das acusações relatadas. Ressaltamos que prestamos toda assistência necessária à cliente”, diz a nota. De acordo com a gerente da loja, o segurança foi demitido.

Fernanda recebeu atendimento do Serviço Médico do Shopping Bela Vista. Mesmo debilitada a jovem foi à 11ª Delegacia Territorial do Bairro de Tancredo Neves, onde prestou queixa. O caso está sob investigação da Polícia Cívil.

Não é um  caso isolado

O que aconteceu com Fernanda Rodrigues não é algo isolado na capital baiana. Em dezembro de 2021, Luís Fernandes Júnior foi acusado de furtar uma mochila, na loja Zara, do Shopping da Bahia. Quatro meses após ao crime, a loja e o Shopping Bahia fecharam um acordo extrajudicial que previa o pagamento de uma indenização, para que o processo não fosse adiante. Inclusive, a investigação revelou que a Zara tinha um código para alertar os funcionários quando pessoas negras entravam na loja.