Texto: Divulgação
Quase um ano após a Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que levou mais de 300 mil mulheres negras às ruas de Brasília (DF), em 25 de novembro de 2025, comitês, coletivos e organizações de mulheres negras de todo o Brasil se organizam para realizar a Semana por Reparação e Bem Viver. Grupos interessados em realizar o cadastro de atividades para compor a agenda oficial do evento podem realizar as inscrições até o dia 10 de novembro, por meio de formulário online.
A iniciativa tem o objetivo de comemorar um ano do marco histórico para o movimento de mulheres negras do Brasil e do mundo, e busca seguir os legados de mobilização e articulação deixados pela Marcha. O evento segue a metodologia do Março de Lutas e do Julho das Pretas. Nesse sentido, as atividades cadastradas neste período irão compor a agenda oficial do Novembro de Incidência.
“No centro da disputa por projetos políticos de futuro estão os corpos territórios de mulheres negras, a indicar caminhos para as saídas que nos tiram deste presente avassalador”, afirma Janira Sodré, coordenadora executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).
Em 18 de novembro de 2015, aconteceu a primeira edição da Marcha, sob o mote contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, também em Brasília (DF), e reuniu mais de 100 mil mulheres negras. A Marcha se consolidou como uma forma de luta política que parte de um projeto a longo prazo que exige do Estado, e dos diversos setores da sociedade, a criação de ações materiais e simbólicas que deem conta de reparar os impactos da escravidão e corrigir as injustiças e violências resultantes desse processo que perdurou por séculos.
Uma década depois, a Marcha ganhou proporções ainda maiores. Assim, o movimento voltou às ruas da capital federal e realizou a segunda edição no final de 2025. No Manifesto das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, documento lançado no dia em que a Marcha tomou as ruas, está proposto um amplo programa de reparação histórica pelos quase 400 anos de escravização no Brasil. Elaborado pelo Comitê Nacional e pelo Conselho Político da Marcha, o manifesto articula duas dimensões centrais: a reparação histórica pelos danos da colonização e da escravidão, e a construção de uma sociedade baseada no conceito de Bem Viver, inspirado em cosmopercepções africanas e indígenas.
“A escravidão operou de forma a subtrair as humanidades e subjetividades das pessoas negras em todo o mundo, a partir da retirada do direito ao próprio corpo – objetificado e comercializado; e a expropriação de nossos nomes, famílias, culturas e territórios”, afirma trecho do texto, que apresenta 11 propostas específicas para reparar a população negra.
A trajetória iniciada pela primeira Marcha continua impactando diariamente a luta contra o racismo, o sexismo e a violência, por reparação histórica, justiça territorial, soberania alimentar e pela garantia de direitos para o Bem Viver de todas as mulheres negras. A Semana por Reparação e Bem Viver é a continuidade de um projeto político das mulheres negras iniciado pela Marcha e que segue em curso.
Semana por Reparação e Bem Viver
Em 2025, do dia 20 de novembro em diante, Brasília se transformou em território de encontros, trocas e imaginações políticas com a primeira edição da Semana por Reparação e Bem Viver. Construída por organizações, coletivos, comitês e lideranças que impulsionam a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, a semana reuniu dezenas de atividades abertas ao público — rodas de conversa, oficinas, feiras, apresentações artísticas, formações, intervenções culturais e encontros internacionais.
A Semana teve por objetivo atuar como um grande aquilombamento preparatório para a Marcha do dia 25 de novembro, fortalecendo vínculos, alimentando afetos e aquecendo os debates que movem as lutas das mulheres negras no Brasil e no mundo. Em cada espaço, se afirmaram os princípios da democracia com justiça racial, cuidado como estratégia política, ancestralidade como tecnologia de futuro e Reparação como horizonte inegociável.
A programação acolheu atividades que refletem a diversidade do movimento de mulheres negras, celebrando juventudes, saberes tradicionais, espiritualidade, cultura LGBTQIA+ negra, economia criativa, artes, territórios e tecnologias ancestrais.
Serviço
O quê: Cadastro de atividades para compor a Semana por Reparação e Bem Viver, em comemoração a um ano da Marcha Global das Mulheres Negras;
Data: até 10 de novembro;
Formulário de inscrição: https://forms.gle/S1GLJhvDy4v16hTbA.


