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Museu Virtual Rio Memórias resgata trajetória do costureiro negro Hugo Rocha, nome apagado da história da moda carioca

Nova galeria do projeto reúne pesquisa sobre um dos poucos homens negros que atuaram na alta-costura no Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1970.
Imagem: Divulgação

Texto: Divulgação

A trajetória do costureiro Hugo Rocha, um dos poucos homens negros a conquistar reconhecimento na moda carioca entre as décadas de 1960 e 1970, volta a ganhar visibilidade por meio da galeria “Rio na Moda“, lançada pelo Museu Virtual Rio Memórias nesta quinta-feira (23). A pesquisa busca recuperar a história de um profissional que alcançou prestígio na alta-costura, vestiu artistas e mulheres da elite carioca, mas acabou praticamente apagado da historiografia da moda brasileira.

A iniciativa integra o trabalho do Museu Virtual Rio Memórias de ampliar narrativas sobre a história da cidade a partir de personagens e trajetórias que receberam pouca atenção nos registros oficiais. 

O lançamento da galeria acontece das 18h às 22h, no Mercado Central (Rua do Senado, nº 46, Centro do Rio). Os ingressos custam R$ 10, com meia-entrada disponível para todos no site de inscrição.  O evento contará com um debate entre Carolina Casarin, Lígia Parreira e Isabela Capeto, além de apresentação do DJ Fred Coelho. 

Hugo Rocha construiu uma carreira que transitou entre diferentes segmentos da moda. Além de comandar uma maison de alta-costura no Leblon, manteve butiques em Copacabana e Ipanema e desenvolveu figurinos para espetáculos teatrais e musicais. Seu trabalho conciliava a tradição da moda sob medida com referências da juventude, da vida noturna e das transformações comportamentais vividas pelas mulheres da época.

Segundo a pesquisadora e curadora Carolina Casarin, responsável pelo estudo que integra a galeria, Hugo Rocha também teve papel importante na valorização de profissionais negros dentro da moda.

“Hugo Rocha lançou, como modelos profissionais, Elke Maravilha e Nixon e vestiu, durante muitos anos, as cantoras Elizeth Cardoso e Elza Soares. Em seu ateliê, no Leblon, dominavam as manequins negras”, afirma.

A pesquisa também recupera a importância de Hugo Rocha em um contexto marcado pela baixa presença de pessoas negras em espaços de destaque da alta-costura brasileira. Ao longo da carreira, ele conquistou reconhecimento entre artistas e personalidades da alta sociedade, consolidando uma produção marcada por peças sofisticadas e autorias. 

O resgate dialoga ainda com reflexões da intelectual e ativista Lélia Gonzalez sobre a necessidade de reconhecer a participação da população negra na construção da história do país. Além da pesquisa sobre Hugo Rocha, a galeria “Rio na Moda” reúne outros conteúdos sobre a relação entre a cidade do Rio de Janeiro e a história da moda. 

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