Por Karla Souza
A jornalista Wanda Chase faleceu na madrugada desta quinta-feira (3), aos 74 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador (BA). Nascida em Manaus (AM), Wanda se consolidou na Bahia como um dos nomes mais importantes do jornalismo televisivo, sendo uma das primeiras mulheres negras a ocupar um espaço de destaque. Sua trajetória profissional e militante marcou a comunicação e a luta pela igualdade racial no Brasil.
Com mais de 47 anos de experiência em comunicação e mais de 45 prêmios recebidos, Wanda iniciou sua carreira no Jornal A Crítica, em Manaus. Trabalhou na Rede Manchete, TV Cabo Branco e Rede Globo Nordeste, até se estabelecer na TV Bahia, onde permaneceu por 27 anos. Durante sua trajetória, destacou-se como repórter, editora, colunista e apresentadora, ampliando as discussões sobre a cultura negra no estado e contribuindo para a visibilidade da população afrodescendente.
Nas décadas de 1980 e 1990, Wanda Chase participou ativamente do Movimento Negro Unificado (MNU), engajando-se em pautas como a Noite da Beleza Negra e a Noite da Mãe Preta, além de estar presente em mobilizações pela libertação de Nelson Mandela. Sua atuação foi além das redações e estúdios, consolidando-se como uma referência na luta contra o racismo e pela democratização dos espaços midiáticos para a população negra.
Mesmo após se aposentar da TV, Wanda permaneceu atuante no jornalismo e na cultura. Criou o podcast “Bastidores com Wanda Chase”, escreveu a coluna “Opraí Wanda Chase” no Portal iBahia, além de estar trabalhando na produção de um livro sobre a axé music. Sua última aparição pública foi na cobertura do Carnaval de Salvador pelo Grupo A TARDE, onde foi homenageada por diversos artistas no circuito Barra/Ondina, incluindo Ivete Sangalo.
Filha de uma família caribenha que migrou de Barbados para o Brasil, Wanda Chase sempre carregou consigo o orgulho de suas raízes.
O velório e enterro de Wanda acontecerão no sábado (5), no Cemitério Campo Santo, em Salvador, quando seus familiares chegarão à cidade para a despedida. Sua ausência será sentida, mas seu legado permanecerá vivo na história.