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Complexo da Maré (RJ) registra 160 mortes em operações policiais ao longo de nove anos

Dados levantados pela Redes da Maré mostram como a violência policial impacta diretamente a vida e rotina de moradores da comunidade carioca
Operações policiais no Complexo da Maré (RJ) mataram 160 pessoas em nove anos
Imagem: Wilfredor

Por Matheus Souza

Segundo dados da 9ª edição do Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, cerca de 231 operações policiais no conjunto de 15 favelas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), entre 2016 e 2025, resultaram em 160 mortes e 1.538 ações de violência e violação de direitos dos moradores, incluindo ameaças, tortura e cárcere privado.

A pesquisa foi realizada pelo projeto De Olho na Maré e faz parte de um monitoramento independente da segurança pública, com informações locais produzidas pelo Eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça, da Redes da Maré. Segundo o boletim, a violência armada na região impacta diretamente o acesso aos direitos básicos dos moradores, como saúde, educação e lazer.

As operações policiais na comunidade causaram o fechamento de unidades escolares públicas por 163 dias, o que equivale à perda de cerca de um ano letivo na trajetória educacional de crianças e adolescentes da Maré, explica o documento. Na saúde, 7.866 acompanhamentos deixaram de ser realizados por conta do fechamento de unidades de atendimento durante 14 dias, apenas em 2025. Conforme o levantamento, no mesmo ano, houve 16 operações policiais que resultaram em 12 mortes.

Em 2024, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro chegou a questionar o Ministério da Educação (MEC) sobre diretrizes nacionais para o enfrentamento dos impactos das operações policiais sobre a educação, incluíndo a compensação de dias letivos perdidos por conta da violência. Na resposta dada em 2025, o Conselho Nacional de Educação instituiu o Fórum pelos 200 dias letivos e a Comissão Permanente de Acompanhamento da Obrigatoriedade de Cumprimento dos 200 Dias Letivos, da qual a Redes da Maré faz parte.

De acordo com o relatório, o monitoramento contínuo da violência armada na Maré é um feito singular, ao acompanhar os confrontos e operações policiais no território, com uma equipe local e metodologia própria produzida e realizada na favela, para garantir o direito de populações empobrecidas à segurança pública.

O lançamento oficial do boletim acontece na próxima terça-feira (24), durante o 3º Congresso Internacional Falando sobre Segurança Pública na Maré, na Areninha Cultural Herbert Vianna, localizada no complexo. O documento será encaminhado a diversos órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O encontro vai reunir, durante três dias, especialistas e ativistas internacionais em segurança pública no Rio de Janeiro, em oito mesas de debate e grupos de trabalho.

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