Os criadores pretendem fomentar a prática do Black Money e evitar as situações de racismo que consumidores negros passam em estabelecimento comerciais

Por Andressa Franco

Um aplicativo que conecta consumidores(as) negros(as) a profissionais negros(as) que oferecem seus serviços na plataforma. Essa é a proposta do Páginas Pretas Classificados, criação de Milena Sá, 37, e Gabriel da Veiga, 28, lançada na última semana e disponível para ser baixado na loja de aplicativos do seu celular.

“A ideia do aplicativo surgiu da exaustão de ser e ver pessoas pretas, mesmo sendo consumidores, sofrendo maus tratos, sendo ignorados, passando por situações de violência, racismo em estabelecimentos comerciais”, explica Milena, que também trabalha como tradutora. “Enquanto isso muitos profissionais negros lutam para manter seus negócios, abdicando de realizações pessoais para conseguirem manter suas empresas”.

A partir dessa inquietação, Milena desenvolveu a ideia do aplicativo, e conheceu Gabriel quando o jovem lançou um outro aplicativo, o Real Braids, que conecta trancistas a clientes. “A Milena entrou em contato comigo e me contou da ideia, eu comecei a pensar sobre e resolvi dar uma chance porque eu gostei bastante”, lembra.

Assim, desenvolveram e lançaram o primeiro aplicativo que conecta afroempreendendores de todo o Brasil, que tem a intenção de motivar a prática do Black Money de forma rápida, eficaz e segura.

Milena Sá e Gabriel da Veiga criaram o aplicativo de classificados negros

“Fortificando o Black Money, você consegue unir o povo preto”

Para Gabriel, que também estuda análise e desenvolvimento de sistema, além de trabalhar com desenvolvimento de aplicativos, gestão de TI e designer gráfico, o impacto esperado com o projeto é de “conscientização e união do povo preto”.

Giovana Guimarães é body piercing e divulga seu serviço no aplicativo

“Nós somos muitos, e eu acredito que, se houvesse mais união, nós poderíamos alcançar patamares muito maiores. Fortificando o black money, você consegue unir o povo preto. Pra muita gente é ‘mimimi’ e uma forma de segregação, até mesmo muitas pessoas pretas, mas é uma forma de mostrar o trabalho do seu povo e de você consumir do seu povo. O impacto que eu espero é um impacto social”, pontua.

O aplicativo já está em funcionamento. A Giovana Guimarães é body piercing e divulga seu serviço no aplicativo, que acredita ser uma ferramenta necessária para os afroempreendedores. 

“A gente entra no Instagram, e quem tem mais visualização é sempre aquela pessoa mais padrão, mais blogueira. Então quando você entra procurando um serviço ou coisa assim, são sempre essas pessoas específicas que têm mais visualização, e nesse aplicativo você acha vários tipos de profissionais negros e faz esse dinheiro rodar entre nós mesmos, é um puxando o outro, e é muito importante”, relata.