Pará ganha primeira casa de acolhimento para a comunidade LGBTQIA+

Por Patrícia Rosa

O Pará vai receber a primeira casa de acolhimento, para a comunidade LGBTQIA+, pelo programa Acolher+ do estado. O espaço será batizado com o nome da ativista Darlah Farias, que dedicou sua trajetória ao movimento negro e de mulheres negras, além das pautas de luta do movimento LGBTQIA+, com foco nas mulheres lésbicas negras. Darlah faleceu no último dia dois de junho. A militante foi cofundadora do Coletivo Sapato Preto, grupo de mulheres lésbicas amazônidas.

“Darlah deixou sementes, legado, força e caminho traçado para a nossa luta continue a gerar o que ela tanto sonhava, políticas públicas para o nosso povo preto. Ela era nossa gigante amazônida, era advogada, era militante, era ativista, era amiga, gestora, era madrasta e o grande amor da minha vida. Era uma mulher única, forte e potente para nossas lutas”, declarou Patrícia Gomes, uma das organizadoras do coletivo.

Sobre a casa de acolhimento, a ativista afirmou que se trata de um marco histórico para o Pará, uma conquista de lutas travadas pelos movimentos LGBTQI+.

“Marca também a trajetória de mulheres negras, lésbicas e ativistas em espaços de poder. São anos na luta por políticas públicas efetivas e reais para nossa comunidade, por uma política que nos mantenha fora do armário, que nos tire da invisibilização. A casa de acolhimento LGBTQI+ se configura como um marco histórico por tudo isso”, explicou.

Segundo a Rede Brasileira de Casas de Acolhimento (Rebraca), há 23 casas de acolhimento para a população LGBTQIA+ no país. O projeto-piloto do programa Acolher+ foi lançado no último dia 7 de junho. 

A nova casa fica localizada na Travessa Frutuoso Guimarães, número 649, na rua esquina com a Avenida General Gurjão, em Campina, na cidade de Belém. A data do início do funcionamento ainda não foi divulgada.

A Secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, participou do lançamento do projeto e falou que falou sobre o quanto a comunidade precisa de acolhimento, trabalho digno e de acesso à rede de garantias de direitos.

“Eu estou muito emocionada porque estou com a minha mãe aqui. Tenho muito orgulho de ser a sua filha. Não queria que ninguém mais passasse pelo que a gente passou. Todo dia, ela me dá bom dia e boa noite, pois ela tem medo do que pode acontecer comigo”, afirmou a gestora.

Dados do Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTI+ no Brasil denunciam que, durante o ano de 2022, foram registradas 273 mortes de pessoas da comunidade, de forma violenta, no país. Dessas mortes, 228 foram assassinatos, 30 suicídios e 15 outras causas.

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